Alexandre de Moraes (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).

Apoie o Come Ananás

Fortaleça a imprensa democrática.

É certo que não é dos carecas que ela gosta mais, vide o veio da Havan e o termo skinhead ter virado sinônimo de neonazi. Mas se a senhora Democracia tem hoje um crush no Brasil, além de Lula, e a julgar pelos impagáveis memes que circulam na bolha democrática, ele se chama Alexandre de Moraes, o ministro do Supremo dono de um liso e reluzente cocuruto.

Palmas, de fato, para Alexandre de Moraes, que virou o pavor de Jair Bolsonaro por simplesmente cumprir o papel que lhe cabe, o que no Brasil atual é muito, coisa pra burro.

Mas um caso de amor de Xandão com a Democracia é algo que desafia a lógica.

O Xandão que hoje é apontado, e com razão, como a única trincheira verdadeiramente firme nas instituições contra os arroubos golpistas de Bolsonaro e do bolsonarismo, Xandão, dizíamos, só está onde está graças a uma ruptura institucional, ao golpe de 2016, ao governo ilegítimo de Michel Temer, que o escolheu para ministro da Justiça e depois para o STF.

Quem resgatar o vídeo da primeira reunião ministerial do governo golpista verá Alexandre de Moraes sentado à esquerda de Temer, balançando a cabeça para cima e para baixo, anuindo com a bela careca quando o chefe avisou que não aceitaria mais ser chamado de golpista. Lá pelas tantas, é possível ouvir a voz de Moraes lembrando a Temer um argumento para rechaçar a acusação, dizendo que o processo de impeachment de Dilma transcorreu “com o Judiciário presidindo”.

É mais ou menos como se agora o patético pedido de impeachment do próprio Alexandre de Moraes, protocolado por Bolsonaro junto a Rodrigo Pacheco, prosperasse no Senado e alguém dissesse que é tudo legítimo porque, afinal, tem o selo do Legislativo.

Etienne e Isabeau

Um caso de amor de Alexandre de Moraes com a Democracia é algo que desafia mesmo a física.

Alexandre de Moraes e a Democracia são mais ou menos como Rutger Hauer e Michelle Pfeiffer em “O Feitiço de Áquila”, filme de 1985. Amaldiçoados por um bispo de cotovelo dolorido, Etienne Navarre é gente como a gente de dia, mas vira lobo quando o sol se põe, enquanto Isabeau é humana de noite e vira uma bela águia assim que raia o dia. Numa cena do filme, também conhecida como inquérito das fake news, o casal quase chega a se tocar naquele instante do alvorecer em que a noite se confunde com o dia e vice-versa.

Quase.

É um amor, de resto, que desafia a teoria das probabilidades.

Em outro vídeo célebre, Alexandre de Moraes aparece vestido como Chuck Norris em outro filme, “Comando Delta”, dando golpes de facão em pés de maconha no Paraguai, sob a palavra de ordem de erradicar a maconha da América Latina. Quem apostaria que o “jardineiro paraguaio” poderia, no futuro, prestar algum serviço relevante ao país?

Miserável, portanto, o país que precisa – e precisa – de… Alexandre de Moraes.

Mas fica um conselho amoroso à senhora Democracia: aproveite o momento, jogue o boy na parede, chame de lagartixa, que ele está cheio de amor pra dar. Para o futuro, porém, milady, abra o olho. O sentimento não parece verdadeiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *