O Movimento Pró-Armas, maior associação armamentista do Brasil e que tem como slogan “não é sobre armas. É sobre liberdade”, irá lançar candidatos a cargos legislativos nas eleições 2022 em todos os estados da federação. O presidente do Pró-Armas, o advogado Marcos Pollon, anunciou que o lançamento será no dia 28 de março e que o perfil dos candidatos será de pessoas “que não se contentam em fazer arminha com a mão”.

Segundo Pollon, na atual legislatura “foram muito poucos os parlamentares que contribuíram com a pauta”.

Em uma transmissão ao vivo na internet realizada no último dia 7, Marcos Pollon adiantou os nomes de Samurai Caçador, pré-candidato a deputado estadual em São Paulo, e do advogado paranaense Cesar Mello.

Vereador em exercício na cidade de Monte Azul Paulista, Samurai Caçador acompanhou Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas no fim de fevereiro na inauguração de uma estrada no interior de São Paulo. Samurai ficou conhecido quando uma reportagem recente do Fantástico mostrou o caçador dizendo que “o javali veio assegurar o direito de uso de armas para nós”.

Já Cesar Mello, conforme mostrou outra reportagem da mídia corporativa, esta da Folha, é figura conhecida do lobby armamentista que vem fazendo forte pressão em Brasília pela liberação do porte de armas para Caçadores, Atiradores e Colecionadores – os CACs.

“Vamos fixar tosos os candidatos. Lembrem-se que muito mais do que votar, é necessário que vocês me ajudem a fazer campanha, pedir votos, pra gente poder ter representantes nossos, porque no estado em que a gente tiver representante fica mais fácil de trabalhar. Quando tiver que desenrolar um problema, não será simplesmente eu que vou lá desenrolar o problema. A gente vai com a força de um deputado estadual, um deputado federal, e assim nós construiremos uma liderança”, disse Pollon na live.

Não é sobre armas. É sobre fake news

“Gostaria que a Bárbara viesse para senadora em Minas Gerais. A Bárbara é uma amiga minha, uma pessoa espetacular. É um jeito até de se proteger dos ataques que ela vem sofrendo”, disse ainda Marcos Pollon sobre mais um possível nome do Pró-Armas para as eleições deste ano.

A referência foi à blogueira bolsonarista Barbara Destefani, do canal “Te Atualizei” e que é investigada no inquérito das fake news que corre no Supremo Tribunal Federal.

Por falar em fake news, há poucas semanas o presidente do movimento Pró-Armas disse no Clube de Tiro e Caça Black Beard, em Salto de Pirapora, no interior paulista, o seguinte sobre as eleições que se avizinham:

“Nós temos a possibilidade de escolher entre um presidente que pauta a liberdade como sua pauta prioritária e outro que claramente já disse que vai prestigiar grupos e organizações criminosas e que vai escravizar os nossos filhos”.

Não é sobre armas. É sobre pintinhos

Na mesma entrevista, Pollon fez a seguinte comparação:

“Ficou famoso no Whatsapp no ano passado o vídeo de uma galinha que lutava com uma águia para defender os seus pintinhos. Então, se até uma galinha pode defender os seus filhos, por que os brasileiros não podem ter o direito de defender os seus?”.

E este é o presidente do Clube de Tiro e Caça Black Beard anunciando para o dia seguinte uma palestra de Marcos Pollon entre gritos de “É Bolsonaro 22! Pró-Armas! Marcos Pollon! Brasil!”, e com uma arma a tiracolo.

No dia seguinte, na palestra, Pollon diria que “nosso inimigo hoje são os atores que patrocinam, que buscam, que lutam pelo desarmamento no Brasil”.

Não é sobre armas. É que ‘esse ano promete’

Há poucos dias, Marcos Pollon compareceu à filiação de vários nomes do governo Bolsonaro ao PL: Mario Frias, secretário Especial de Cultura; André Porciúncula, secretário da Lei Rouanet; e Jorge Seif Júnior, secretário de Agricultura e Pesca. Todos eles são pré-candidatos ao Congresso Nacional (por São Paulo, Bahia e Santa Catarina, respectivamente) e eles todos aparecem nesta foto vestidos com a camiseta do movimento Pró-Armas e ao lado de Pollon:

Em outra foto, esta em que Marcos Pollon aparece “prestigiando” a filiação dos “meus amigos” ao PL, Mario Frias deixou um comentário:

“Não é sobre armas, é sobre liberdade. Obrigado por seu grandioso trabalho irmão!”.

André Porciúncula, também:

“Só os feras! Esse ano promete!”.

Atualização 23/03: a matéria foi ar com um equívoco na referência à arma de fogo portada pelo presidente do Clube de Tiro e Caça Black Beard no vídeo em que ele pede votos para Bolsonaro com uma arma a tiracolo. No texto, mudamos de “submetralhadora”, cuja venda não é permitida no Brasil, para apenas “arma”.

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6 Comentários

  1. Como nos proteger da burguesia protofacista genocida sem garantir o direito a ter armas? Deveria sim ter isenção de impostos em armas e munições para o proletariado. A política armamentista atual favorece apenas os ricos.

  2. Parabéns ao ProArmas, pela visão além do simples fato de se ter um objeto.
    Nossa luta é pela Liberdade e pelos meios de garanti-la sem depender de mais ninguém.
    Estaremos juntos, aonde for.

  3. Pauta de armamento é essencial para empoderamento feminino e para defesa dos trabalhadores contra opressão imperialista!

  4. Primeiro Lugar, a lei 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento) é inconstitucional e monocrática, foi aprovada em pleno escândalo do mensalão.
    Porque Inconstitucional: Não há em nossa constituição qualquer menção a proibição de armas, inclusive em seu Art 13º inciso 1º a arma é um dos símbolos da Republica Federativa do Brasil, não existe em parte alguma em nossa constituição a transferência para o estado o direito a legitima defesa no âmbito individual somente no coletivo, porém em nosso Art. 25º do Código Penal Brasileiro esta resguardado e com o respaldo da Constituição o direito a legitima defesa caso contrário todo o código penal é inconstitucional que não é o caso, quer dizer que o CP nos garante a legitima defesa, a CF não proíbe a legitima defesa, porque a restrições as armas sendo que bandidos não atacam com flores e nem com convite para almoço romântico.
    Porque Monocrática: Na elaboração da lei não houve qualquer contra ponto e/ou contraditório, a lei foi elaborada única e exclusivamente por quem defende o desarmamento no Brasil e entrou em vigor através do DECRETO 5.123/04 em pleno esquema do Mensalão.
    Este papo que as armas são o motivo da alta da violência é a mesma coisa que falar que o carro é o motivo dos altos índices de mortes no trânsito, o grande problema é que a esquerda esta muito preocupada com as armas e esta pouco preocupada com a nossa legislação penal que é fraca e cheia de brechas, e além disso a própria esquerda tratou de dar uma mãozinha para os Criminosos flexibilizando e ampliando as saidinhas, criando a audiência de custódia, enfraquecendo e desmoralizando as polícias, com o desarmamento civil deixaram a estrada livre para os criminosos.

  5. Acesso as armas para aqueles que cumprirem os requisitos num país onde os números de homicídios são iguais de uma guerra é assegurar o direito à legítima defesa. Melhor exemplo que os EUA não existe, liberdade também é o direito de se defender.

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