Envolvidos na tentativa natalina de atentado no aeroporto internacional de Brasília, George Washington Oliveira Sousa e Alan Diego dos Santos Rodrigues estiveram juntos no Anexo II, Ala Senador Nilo Coelho, Plenário nº 6 do Senado da República no último 30 de novembro. A polícia do Senado já sabe quem autorizou a entrada dos terroristas, mas o nome não foi divulgado.

Naquele dia, George Washington e Alan Diego assistiram a uma audiência pública requerida e comandada pelo senador Eduardo Girão (Podemos-CE) para “discutir a fiscalização das inserções de propagandas politicas eleitorais”.

Na prática, foi uma sessão de inaceitação do resutado da eleição presidencial. Um dos convidados do senador Girão foi a notória disseminadora de notícias falsas Bárbara Destefani, do canal “Te atualizei”. Fernando Cerimedo, o argentino da live “Brasil Was Stolen”, fez uma apresentação de 20 minutos. Carlos Rocha, o “técnico” que ajudou o PL a tentar melar a eleição, falou mais 30.

Foi na audiência para “discutir a fiscalização das inserções de propagandas politicas eleitorais” que o desembargador aposentado Sebastião Coelho pediu a prisão de Alexandre Moraes. Lembra? Os terroristas assistiram ao vivo, in loco. George estava a poucos metros do seu conterrâneo Delegado Eder Mauro (PL-PA) quando o deputado bolsonarista pediu a palavra para dizer que “ainda tenho minhas dúvidas” de que “essa quadrilha” vai assumir o poder, “e eu espero que o povo brasileiro tome providências neste sentido”.

Outro delegado-deputado-bolsonarista paraense é o Delegado Caveira, eleito pela primeira vez para a Câmara em outubro, apoiado pelo Movimento Pro-Armas. Ele aparece no detalhe deste outdoor ilegalmente instalado durante a campanha eleitoral na cidade do terrorista George Washington Oliveira Sousa, Xinguará, a 800 quilômetros de Belém.

Eduardo Girão e Delegado Caveira estão entre as pouco mais de 50 pessoas que George Washington segue no Twitter. Outros, formando uma maioria de incitadores, de verdadeiros coachs de terrorismo, são Roberto Motta, Coronel Telhada, Rodrigo Constantino, Alexandre Garcia – todos terror influencers da Joven Pan -, Ana Paula Henkel, Augusto Nunes, Guilherme Fiuza, General Villas Boas, General Augusto Heleno, entre outros, como o próprio terrorista-em-chefe, o Bin Laden do Palácio da Alvorada, e o perfil da Força Aérea Brasileira, a responsável pelo setor militar do aeroporto internacional de Brasília.

Voltando à sessão do dia 30 de novembro no Senado, quem Eduardo Girão também chamou à mesa naquele dia, para algumas palavras, foi Bismark Fabio Fugazza, sócio de outro canal do Youtube, “Hipócritas”. Ao microfone, o convidado disse o seguinte, num auditório do Senado da República: “a ditadura do judiciário no Brasil está com os dias contados, e o ladrão não sobe a rampa”. Foi aplaudido de pé por Carla Zambelli e ganhou um abraço de Girão. Nesta segunda-feira, 26, saiu uma ordem de prisão contra Fugazza, da lavra de Alexandre de Moraes.

No dia 12 de dezembro, data da diplomação e de ações bolsoterroristas coordenadas em Brasília, membros do canal “Hipócritas” e o blogueiro golpista Oswaldo Eustáquio tiveram uma renuião com Jair Bolsonaro no Alvorada. Oswaldo Eustáquio também participou da sessão do dia 30 de novembro no Senado. Nela, ele disse que representa “o povo do quartel” e, em seguida, também no melhor estilo coach de terrorismo, puxou um coro de “Se precisar/A gente acampa/Mas o ladrão/Não sobe a rampa”.

Oswaldo Eustáquio no Senado (Foto: Roque de Sá/Agência Senado).

Um coro? Sim, do fundo do auditório. George Washington e Alan Diego não eram os únicos patriotas de acampamento de quartel presentes na audiência, como certamente não são os únicos, sequer os únicos soldados rasos, envolvidos com bombas e fuzis em uma Brasília, em um país em alerta contra o bolsoterrorismo às vésperas da posse de Luis Inácio Lula da Silva.

Além da ordem contra Bismark Fabio Fugazza, Alexandre de Moraes emitiu nesta segunda uma segunda ordem de prisão: contra Oswaldo Eustáquio.

Quem autorizou a entrada de Fugazza e Eustáquio no Alvorada no dia 12 de dezembro, todos sabemos. Se a Polícia Federal quiser, quiser mesmo, mais nomes do bolsogolpismo evoluído para bolsoterrorismo, poderá buscá-los na lista dos autorizados a acessar o Anexo II, Ala Senador Nilo Coelho, Plenário nº 6 do Senado da República no último 30 de novembro.

Se a Polícia Federal quiser, quiser mesmo entender como um gerente de posto de gasolina no Pará e um funcionário do agro do Mato Grosso estão há mais de um mês (aparentemente) sem ganhar a vida, metidos em conspirações no Planalto Central; se quiser identificar quem faz delivery de bananas de dinamite na porta do Forte Aapache, em Brasília, um belo ponto de partida é saber com a polícia do Senado quem foi que os autorizou.

Quem autorizou George, Alan e quem sabe mais quem naquele dia? Quem autorizou naquele dia e, quem sabe, poucos dias atrás?

De Pai Fundador, agora George Washington, quem diria, é bandido – destemido e temido no Distrito Federal.

Em seu depoimento à PF, o George Washington tupiniquim disse que foi inspirado por Jair Bolsonaro, disse que contava com a ajuda do Movimento Pro-Armas se fosse parado na estrada com seu arsenal e disse que, antes de montar a bomba, foi ter com um “importante general”, sem dar nome ao gorila.

Neste terrorismo cabloclo, por menos George Washinton e mais João de Santo Cristo: “não boto bomba em banca de jornal nem em colégio de criança. Isso eu não faço não. E não protejo general de dez estrelas que fica atrás da mesa com o cu na mão”.

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