Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado.

Após passarem seis meses batendo-se contra o obscurantismo, o autoritarismo e a barbárie, em nome do esclarecimento, da democracia e da civilização, as principais “estrelas” da CPI da Covid-19 ajudaram a aprovar a indicação de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal, nesta quarta-feira, 1º de dezembro.

A começar por Eliziane Gama, a senadora terrivelmente evangélica a quem o presidente da CCJ, Davi Alcolumbre, entregou a relatoria da indicação de Mendonça por Jair Bolsonaro.

A julgar pelo noticiário e pelas intervenções que alguns deles fizeram na sabatina de Mendonça na CCJ, seguiram Eliziane nas votações da comissão ou do plenário os senadores Omar Aziz, Randolfe Rodrigues, Alessandro Vieira, Simone Tebet, Otto Alencar e possivelmente até Rogério Carvalho, do PT.

Dos mais destacados membros, suplentes ou não-membros atuantes da CPI que se posicionaram firmemente contra o desgoverno Bolsonaro na comissão, apenas Renan Calheiros parece não ter votado ou atuado por André Mendonça.

“Estrela”, por seu turno, do bolsonarismo, Mendonça, quando Advogado-Geral da União ou Ministro da Justiça, tem histórico recente, fresquinho, de perseguição política de jornalistas, cartunistas, ativistas e até de parlamentares opositores de Bolsonaro. Pastor presbiteriano, fartou-se em evocar a Bíblia em manifestações oficiais junto ao próprio Supremo e comandou reuniões de oração na porta de prédios públicos.

No início da pandemia, André Mendonça foi ao Supremo, em nome de Bolsonaro, tentar impedir as medidas não farmacológicas tomadas por estados e municípios para tentar conter a disseminação do novo coronavírus. Derrotado, ajudou a alimentar a informação falsa de que Bolsonaro ficou de mãos atadas para combater a pandemia porque o Supremo teria usurpado competências do Governo Federal.

Com um olho na composição com evangélicos para as eleições do ano que vem – e o outro cego – nada disso foi suficiente para que “estrelas do bem” da CPI, especialmente Randolfe Rodrigues e Simone Tebet, tenham sido decisivas, se não responsáveis, por aprovar o fanático André Mendonça, com seus 48 aninhos, para passar décadas atuando contra o povo brasileiro no STF.

É só mais uma desgraça adicional. Quem se importa?

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