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A revista IstoÉ revelou nesta quinta-feira, 26, que o senador Flavio Bolsonaro atuou junto ao Ministério da Saúde para a compra de uma vacina contra a covid-19 “sem aprovação de nenhuma autoridade sanitária do planeta”, a de uma empresa americana chamada Vaxxinity, a pedido de um intermediário que é parceiro de negócios de um coronel da reserva que foi colega de turma de Jair Bolsonaro na Aman.

A revelação é grave porque mostra a família Bolsonaro, diretamente a família Bolsonaro, seguindo à risca o padrão que marca cada um dos escândalos do vacinoduto destrinchados até agora pela CPI da Covid-19.

O padrão é claro: figuras do governo tentaram viabilizar compras de vacinas laterais no mercado internacional na esteira das recusas iniciais às ofertas de milhões de doses da Pfizer, do Butantã e do consórcio Covax Facility, o que retardou a vacinação no Brasil e até hoje custa a vida de centenas de brasileiros todos os dias.

O que a IstoÉ não mostrou, mas este Come Ananás mostra agora, é a ligação da “vacina suspeita da família Bolsonaro”, nas palavras da revista, com duas pilastras do clã: o neopentecostalismo carioca e – o mais importante – nada mais, nada menos que o trumpismo.

Reviver em Cristo e Ricardo Barros

Constituída no início de 2020, portanto no início da pandemia, até abril deste ano a empresa Vaxxinity se chamava Covaxx. Não confundir com o consórcio Covaxx Facility. Em abril de 2021 aconteceu um “reposicionamento da marca” e a Covaxx virou Vaxxinity, que tem matriz no Texas – no mesmo Texas onde fulgura a Davati Medical Supply, aquela do cabo Dominghetti.

No Brasil, o representante da companhia, o presidente da Vaxxinity, é Elcemar de Almeida. Há um ano, em agosto de 2020, antes do “reposicionamento da marca”, Elcemar abriu a firma Covaxx Brasil LTDA, com capital social de R$ 100 e funcionando, segundo os dados cadastrais da nova empresa, na sala 503 do Centro Empresarial Genus Offices, na Freguesia, Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro.

O Genus Offices fica na Estrada dos Três Rios número 958, em frente à sede da Igreja Evangélica Reviver em Cristo (IERC), rigorosamente no outro lado da rua. A IERC tem um Elcemar de Almeida como “pastor-presidente”. Do Genus Offices não há informação pública sobre quem é o dono, mas Elcemar de Almeida é sócio da Genus Importação e Exportação, que funciona no mesmo centro empresarial, na mesmíssima sala 503 da Covaxx Brasil LTDA.

No dia 15 de abril deste ano – antes, portanto, da gestão pró-Vaxxinity feita por Flávio Bolsonaro e revelada pela IstoÉ -, Elcemar de Almeida foi levado por Ricardo Barros para uma reunião com o ministro Marcelo Queiroga no Ministério da Saúde. Da mesma reunião participou Emanuel Catori, o sócio da Belcher Farmacêutica que depôs na última terça-feira, 24, na CPI sobre outro escândalo do vacinoduto, o da vacina CanSino. Só o nome de Barros constava na agenda oficial do ministro.

Semanas depois, no início de maio, Elcemar de Almeida, na condição de “presidente da farmacêutica Covaxx Brasil”, apareceu num convite para uma reunião sobre aquisição de vacinas promovida pela Associação de Municípios de Pequeno Porte do Estado de São Paulo (AMPPESP), junto com Queiroga e também com Antonio Barra Torres, Dimas Covas e Nísia Trindade, diretores, respectivamente, da Anvisa, Butantã e Fiocruz.

Um dos quatro partners da Vaxxinity listados no site da empresa é a Dasa, maior rede de medicina diagnóstica do Brasil. A Dasa chegou a anunciar que faria testes clínicos da vacina da Vaxxinity no país. Entre o segundo semestre de 2020 e o primeiro de 2021, Elcemar de Almeida negociou a vacina da Vaxxinity com a Fundação Ezequiel Dias (Funed), de Minas Gerais, e com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), este último ligado a Ricardo Barros.

Nenhuma das parcerias parece ter ido à frente. Em junho, entra em cena o 01, Flavio Bolsonaro, em pessoa.

Blackwater e We Build The Wall

No fim de 2020, quem se associou à Vaxxinity foi o empresário trumpista Erik Prince, fundador da Blackwater, a companhia de mercenários contratada por George W. Bush, Dick Cheney e Donald Rumsfeld para assassinar civis no Iraque e que tentou privatizar a ocupação americana no Afeganistão.

O papel de Prince na Vaxxinity é tentar emplacar a vacina da casa mundo afora, décadas depois de ajudar a exportar a democracia americana, por assim dizer. A Vaxxinity diz que seu foco é nos “mercados em desenvolvimento” que não adquiriram vacinas suficientes contra a covid-19 fabricadas pelas gigantes farmacêuticas globais.

Como o Brasil.

Quem descobriu a “parceria” da Vaxxinity com Erik Prince foi a Reuters, no início de junho. Quando deu a notícia, a Reuters ressaltou que “os acordos de fornecimento de vacinas têm sido firmados por meio de vínculos diretos dos governos com fabricantes de medicamentos, organizações globais de saúde ou canais diplomáticos”.

Prince, por seu turno, quando tentou arregimentar um antigo lobista da Blackwater para participar da empreitada, acenou, via e-mail, à moda Dominghetti, ou seja, com “alguns dólares por dose nas comissões”.

Nesta semana, Prince voltou ao noticiário por tentar privatizar também a retirada de pessoas do Afeganistão após a retomada do controle do país pelo Talibã, cobrando US$ 6.500 por cabeça em um avião fretado.

Destacado trumpista, Erik Prince é também membro do conselho de administração do We Build The Wall, organização de captação de recursos para ampliação privada do muro na fronteira entre os EUA e o México. Recentemente, descobriu-se que a We Build The Wall fraudava seus investidores, o que levou à prisão o seu chairman, seu famoso presidente do conselho: Steve Bannon, o estrategista político de Donald Trump e da família Bolsonaro.

Erik Prince e Steve Bannon em fotomontagem que ilustra matéria do site Daily Beast sobre como Bannon tentou convencer o Pentágono a terceirizar para Prince a ocupação do Afeganistão.

Erik Prince, buddy de Steve Bannon, é representante da “vacina suspeita da família Bolsonaro”. Nesta semana, surgiu a notícia de que Polícia Federal suspeita, de resto, que Bannon está por trás da estratégia de Bolsonaro de tumultuar o cenário político brasileiro com ataques à urna eletrônica.

Que surpresa… Que outras não estão por vir?

“Vai vendo, Brasil”.

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1 Comentário

  1. Tudo bem se Bannon estiver por detras das urnas eletronicas. O problema e a Blackwater, a CIA, a NSA, o DoJ, a Nasa, a Microsoft e a Diebold estarem a frente.

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