Just around midnight, no avançado da noite da última quarta-feira, 15, Arthur Lira, da cadeira de presidente da Câmara, informou ao plenário que o governo irá reenviar ao Congresso a Medida Provisória 1.068/21, a “MP da liberdade de expressão”, agora na forma de Projeto de Lei.

A MP 1.068/21 foi editada na véspera do 7 de setembro golpista e, diante da forte repercussão negativa, foi devolvida pela Câmara ao Planalto sem apreciação. O texto dificulta, e muito, a remoção de notícias falsas das redes sociais no Brasil.

Menos de 24 horas após o comunicado feito por Lira na calada da noite, a “tradicional” live de quinta-feira de Jair Bolsonaro saiu do ar subitamente, já quando se encaminhava para o final – a julgar pelo tempo médio das lives semanais de Bolsonaro – e justa e precisamente quando o genocida dizia, repetia ter se curado da covid-19 imediatamente após ingerir “um remédio pra malária”.

A live, que contou com Marcelo Queiroga, estava sendo transmitida via YouTube e Facebook. Tanto o YouTube quanto o Facebook negaram a jornalistas especializados em tecnologia que tenham passado a faca na transmissão presidencial. Mas quem acredita nessas redes sociais globalistas?

Tampouco Bolsonaro, filhos ou figuras mais destacadas do bolsofascismo saíram correndo para gritar “censura!”. Bolsonaro, filhos ou figuras mais destacadas do bolsofascismo tampouco citaram, desculparam-se depois com o gado por algum eventual problema técnico, que definitivamente eles não estão aí para esclarecer.

Derrubada a live, ficou online o mugido rouco do gado de um “ataque à liberdade de expressão”; ficaram no ar o ruído, o alvoroço, a confusão, só para variar um pouco, no momento em que Arthur Lira anuncia que:

“O governo vai mandar para esta Casa um projeto de lei com urgência constitucional tratando do assunto. Penso que esse tema será melhor esclarecido tanto na comissão especial que discute o tema [PL 2630/20, sobre fake news] quanto com a urgência constitucional que deve estar chegando nesta Casa na próxima semana”.

E no momento também em que um outro “problema técnico”, uma instabilidade no sistema do Ministério da Saúde, atrapalha a contagem de casos de covid-19, o que, por sua vez, acontece justa e precisamente quando:

Is the nature of my game

No dia 7 de setembro, Come Ananás mostrou que Bolsonaro assinou a MP 1.068/21 apenas horas depois de ter se reunido com o estadunidense Jason Miller, o fundador da rede social Gettr – a “rede social de Trump”, na qual os “conservadores” podem publicar as mentiras que quiserem, com garantia de que não serão incomodados.

Naquele dia, Come Ananás mostrou também que numa outra live, esta com Jason Miller e Steve Bannon, Miller relatou a Bannon que conversou com um parlamentar brasileiro sobre a preparação de uma versão brasileira da Primeira Emenda da Constituição Americana, que trata de liberdade de expressão.

Jason Miller foi porta-voz de Donald Trump. Steve Bannon comandou a campanha que levou Trump à Casa Branca à base do ruído, do alvoroço, da confusão. Os apoiadores de Jair Bolsonaro, que chegou ao Planalto pela mesma via, apelidaram a MP 1.068/21 de “MP da Liberdade de Expressão”. Quando na próxima semana sair o PL de mesmo teor, poderia agora vir logo com o nome do seu autor.

Pleased to meet you
Hope you guess my name
But what’s puzzling you
Is the nature of my game

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