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Se este país não para de arder em destruição, quem riscou o fósforo zero foi ele, Roberto Jefferson. Em 2005, foi Roberto Jefferson – quem poderia esquecer? – quem primeiro encheu as bochechas, hoje flácidas, para falar em “mensalão”, numa entrevista a Renata Lo Prete na Folha de S.Paulo e, depois, ato contínuo, na CPI dos Correios.

Na CPI dos Correios, a expressão facial, a postura corporal e a entonação de Roberto Jefferson ao falar em “mensalão”, todas de uma nota de três reais, eram de fazer corar o senador Marcos Rogério, o Rolando Lero do genocídio na CPI da Covid-19.

A credibilidade, afinal, de quem no ano passado, 16 anos depois, quando enquadrado por Alexandre de Moraes, “denunciou” que o STF havia sido comprado por um “mensalão chinês”…

Da “denúncia” de 2005 para cá, o Brasil descarrilou. O “pai de todos os escândalos”, como a mídia antipetista – mais tarde, lavajatista – classificou o “mensalão”, é pai e mãe, isto sim, da Grande Marcha Para Trás em que mais tarde ombrearam de Joaquim Barbosa a Aécio Neves e Sergio Moro, passando pelo MBL, Vem Pra Rua, Eduardo Cunha, Michel Temer, pelas milícias cariocas, milícias digitais, mídia corporativa e culminando catastroficamente em Jair Bolsonaro.

Diferentemente do que dizia à imprensa e à CPI dos Correios, à Polícia Federal Roberto Jefferson falou, na época, em “criação mental” para se referir ao “mensalão”, e que o acontecido foi, na verdade, que o PT teria descumprido um acordo para repasse – lícito – de recursos ao PTB no âmbito das eleições municipais de 2004.

No mandado de prisão que expediu contra o presidente do PTB em agosto do ano passado, Alexandre de Moraes o fez, entre uma miríade de crimes cometidos por Roberto “Mensalão” Jefferson, por denunciação caluniosa.

Foram 16 anos de atraso.

E o que veio de Roberto Jefferson a Roberto Jefferson retorna neste domingo, 23, quando “Bob Jeff” recebeu a balas os agentes da Polícia Federal que foram prendê-lo, novamente por ordem de Moraes, após ele insultar Carmen Lúcia com o wi-fi de sua prisão domiciliar. Dois policiais ficaram feridos.

No dia 14 de agosto do ano passado este Come Ananás publicou o artigo “Atenção, Xandão, para as ‘Operações Especiais’ dos atiradores esportivos bolsonaristas”.

Naquele artigo, mostramos um vídeo em que Roberto Jefferson aparece à mesa com o presidente da Juventude Trabalhista Cristã Conservadora (JTCC), Pedro Chaves, e uma mulher não identificada num coro ao Senhor dos Exércitos e todos usando camisetas de pistola e caveira com a sigla “CACOE”.

Tuíte de uma conta antiga de Roberto Jefferson.

CAC, no caso, é sigla para o registro de Colecionador, Atirador Esportivo e Caçador. CACOE significa Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador – Operações Especiais. A que tipo de “operações especiais” poderiam se dedicar certos atiradores esportivos bolsonaristas?

Quem sabe à de produzir mártires sob encomenda para as vésperas eleitorais.

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