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Em uma declaração conjunta divulgada no remate da semana, autoridades sanitárias da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte anunciaram para a próxima segunda-feira, 29, o início do quarto lockdown no Reino Unido em menos de dois anos, mas desta vez para galinhas, perus, patos e gansos.

Trata-se de uma ação emergencial para conter um surto de gripe aviária, após a confirmação de 19 casos de infecção animal pelo vírus causador da doença em várias regiões do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte. Neste sábado, 27, a França detectou um surto de gripe aviária também, em um granja no norte do país, na margem sul do canal da Mancha. Japão, Rússia e China vêm de surtos recentes da doença, com grandes abates de animais.

No “avian lockdown” do Reino Unido, que não tem data para terminar, as criações deverão ficar confinadas nos barracões aviários e os proprietários terão que adotar medidas reforçadas e obrigatórias de biossegurança, como desinfectar regularmente roupas, equipamentos e veículos e limitar o acesso de trabalhadores não essenciais e visitantes às instalações.

O centro do surto é no condado de Leicester, no centro da Inglaterra, onde foi criada uma “zona de proteção” em um raio de três quilômetros e uma “área de vigilância” que se estende por 10 quilômetros ao redor de um granja localizada na pequena localidade de Barrow Upon Soar.

No condado de Monaghan, na Irlanda, há dois focos do vírus da gripe aviária em criações de perus. Neste sábado, 27, o jornal Irish Times publicou um artigo intitulado “O vírus da gripe aviária está de volta. Devemos nos preocupar?”, assinado pelo jornalista especializado na área médica Muiris Houston.

No artigo, Houston diz que we have a problem: a circulação de nada menos que oito variantes do vírus da gripe aviária vem deixando cientistas de cabelo em pé, porque uma dessas cepas pode “pular” e causar um surto em humanos.

Na verdade, já pulou. Há pouco mais de um mês, em meados de outubro, a cepa H5N6 do vírus da gripe aviária, que é conhecida desde 2014, pela primeira vez infectou pessoas. Foram cerca de 50 casos registrados na China, a maioria de pessoas que trabalham em granjas aviárias. Ou que trabalhavam. Metade dos infectados morreu.

‘Cenário de pesadelo’

“Uma vigilância geográfica mais ampla nas áreas afetadas da China e áreas próximas é urgentemente necessária para compreender melhor o risco e o recente aumento de propagação para humanos”, disse a OMS semanas atrás, sobre o surto de H5N6 na China, mas a probabilidade de propagação deste vírus da gripe aviária de pessoa para pessoa é baixa.

O problema, na verdade – o problemão -, pode ser outro.

Existe a preocupação de que, se “pular”, o vírus da gripe aviária encontre um organismo humano já infectado por outro vírus influenza do tipo A, o H3N2, que é principal vírus da gripe humana em circulação neste inverno no Hemisfério Norte – o mesmo que está causando um forte surto de gripe no Rio de Janeiro em pleno final de primavera.

“Os vírus da gripe têm uma alta taxa de mutação e podem trocar genes quando dois vírus infectam simultaneamente um único hospedeiro. Essas mudanças genéticas permitem que eles mudem sua composição e escapem da imunidade em seu hospedeiro e continuem a se espalhar”, diz o artigo do Irish Times sobre a sinistra possibilidade de abalroamento entre o H5N1 e o H3N2 em alguma criatura de Deus.

“O cenário de pesadelo – diz Houston – é que ambos os vírus se misturam com sucesso em humanos e produzam uma nova cepa virulenta de influenza – e com ela a probabilidade de uma nova pandemia. Uma gripe aviária infectando alguém que também sofre da forma humana de gripe criaria as condições ideais para a gripe aviária trocar genes com a gripe humana, tornando-a muito mais infecciosa – uma ‘tempestade perfeita’ para o início de uma pandemia”.

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