Coronel Ricardo Sant'ana, de máscara camuflada, inspecionando códigos-fonte das urnas eletrônicas, na última quarta-feira, 3, no prédio do TSE (Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE).

O presidente e o vice do Tribunal Superior Eleitoral, Edson Fachin e Alexandre de Moraes, comunicaram nesta segunda-feira, 8, ao ministro da Defesa, general Paulo Sergio Nogueira, que um coronel do Exército designado pela pasta para escarafunchar as urnas eletrônicas está a partir de agora literalmente barrado no tribunal.

O motivo é que o portal Metrópoles escarafunchou as redes sociais do coronel Ricardo Sant’ana e o pegou espalhando desinformação sobre o sistema eletrônico brasileiro de votação.

“A posição de avaliador da conformidade de sistemas e equipamentos não deve ser ocupada por aqueles que negam prima facie o sistema eleitoral brasileiro e circulam desinformação a seu respeito”, diz o ofício enviado pelo TSE nesta segunda ao Ministério da Defesa.

Dado o contexto, não resta dúvida de que o coronel Ricardo Sant’ana foi escolhido não apesar de sua atuação de ativista da mentira e do caos, mas por causa dela. Foi escolhido, designado a dedo, e que dê um passo à frente quem o escalou para integrar a assim chamada “Equipe das Forças Armadas de Fiscalização do Sistema Eletrônico de Votação”.

Foi o próprio Paulo Sérgio, golpista notório? Foi o comando do Exército, de golpismo ainda indistinto? Foi o ComDCiber, chefiado pelo general Heber Garcia Portella, membro da Comissão de Transparência das Eleições criada pelo TSE?

Ou teria sido feito, o recrutamento, pelo chefe da equipe marcial de fiscalização das urnas, o também coronel Marcelo Nogueira de Sousa, que no último 14 de julho foi levado pelo general-ministro ao Senado da República para dizer que “é possível que um código malicioso tenha sido inserido na urna e fique lá latente esperando algum tipo de acionamento”, e até agora não foi barrado por nenhuma força desarmada?

Quem, afinal?

O coronel e a ‘inspeção’

Requerentes de transparência alheia, não será surpresa se as Forças Armadas decretarem 100 anos de sigilo sobre o caminho da designação do coronel Sant’ana para a equipe de terra, mar e ar que desde a última quarta-feira se dedica a uma “inspeção” tardia – aquela “urgentíssima” – de códigos-fontes das urnas eletrônicas.

Fotos da última quarta feitas dentro do TSE mostram que o coronel vinha tendo papel destacado na “inspeção”:

O coronel Ricardo Sant’ana, o capitão de fragata Marcus Rogers Cavalcante Andrade e coronel aviador Wagner Oliveira da Silva – oficiais superiores representando, respectivamente, os comandos do Exército, Marinha e Aeronáutica – foram os responsáveis pelo requerimento “técnico” ao TSE de logs, relatórios, tabelas, arquivos de imagens e de dados relativos às eleições de 2014 e 2018 – aquelas que Jair Bolsonaro diz terem sido fraudadas.

Veja:

‘Selva!’

Criada numa portaria assinada pelo general Paulo Sergio uma semana atrás, no dia 2 de agosto, a “Equipe das Forças Armadas de Fiscalização do Sistema Eletrônico de Votação” tem até sigla: EFASEV.

A portaria especifica que a EFASEV “estará diretamente vinculada ao Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas – EMCFA”; e que “o EMCFA deverá, em coordenação com os Comandos das Forças Singulares, expedir diretrizes para os trabalhos da EFASEV”, além de “assessorar o Ministro de Estado da Defesa”.

Quem supõe que o ministro de Estado da Defesa é um lobo solitário na selva -“Selva!” – disposto a de qualquer maneira devorar o cordeiro, mesmo recebendo respostas para tudo, está enganado num ponto: o “solitário”.

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