Damares Alves (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil).

Fortaleça a imprensa democrática brasileira

Quase três anos antes de pedir votos para Jair Bolsonaro dizendo que crianças da Ilha de Marajó, no Pará, têm os dentes arrancados para fazer sexo oral, a então ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, disse que a ouvidoria da pasta tinha em mãos vídeos de estupros de bebês com uma semana de vida:

“A imagem do bebê mais jovem que eu vi sendo estuprado tinha oito dias. Mas já temos registro na nossa ouvidoria de crianças de sete dias no Brasil sendo estupradas. [Há] muitos pais produzindo imagens porque o comércio do estupro de bebês cresceu de tal forma no Brasil que já encontramos vídeo custando R$ 100 mil nesse comércio macabro, que vende corpos de crianças no Brasil. E esse governo está tendo a coragem de enfrentar com muita firmeza. Vamos continuar mandando recado para os abusadores, para os pedófilos de criança (sic) no Brasil: tá acabando para vocês”, disse Damares Alves em dezembro de 2019 em um evento na sede do BNDES, no Rio de Janeiro.

Damares falou o que falou, ou seja, sobre sessões de estupro de bebês recém-nascidos promovidas pelos próprios pais das crianças, logo após mencionar para a platéia no BNDES o programa “Abrace o Marajó”, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

O mesmo programa, o “Abrace Marajó”, serviu de mote para a declaração de Damares Alves – sobre crianças, dentes arrancados, sexo oral, alimentos pastosos e sexo anal – dada no último sábado, 8, numa Assembleia de Deus em Goiânia.

Meses antes daquela palestra no BNDES, em julho de 2019, numa visita à ilha de Marajó, Damares disse que as meninas marajoaras são exploradas porque “não têm calcinha. Não usam calcinha. São muito pobres”.

‘Há 10 minutos’

Na esteira da má repercussão do que Damares Alves disse no último sábado numa igreja de Cristo, surge a notícia de que a futura senadora estreante está articulando com seus ex-chefe, Magno Malta, que voltará ao Senado, a criação de uma nova comissão parlamentar de inquérito sobre pedofilia.

No Senado, Malta presidiu uma CPI da Pedofilia, que funcionou entre 2008 e 2010. Antes de virar ministra de Bolsonaro, Damares era assessora parlamentar de Magno Malta.

Em 2017, no plenário do Senado, ao defender um requerimento para a criação de uma outra CPI, esta dos maus tratos de crianças e adolescentes, e abordando os perigos da internet, Magno Malta disse assim no meio do seu pronunciamento:

“Agora, neste momento, a doutora Damares, minha assessora, trouxe-me a foto de um garoto que há 10 minutos cometeu suicídio em uma árvore no entorno de Brasília”.

Participe da conversa

1 Comentário

  1. Como ela não provou nada do que disse e, mesmo que provado, se não tomou as medidas cabíveis para colocar na cadeia os ditos estupradores, ela tem que respinder judicialmente pelos crimes que cometeu. É devido a essa situação de impunidade para as mentiras em cima de mentiras, que chegamos onde chegamos. Como pode uma pessoa que mente dessa forma exercer o cargo de Ministra de Estado e, se nada acontecer judicialmente contra ela, também de Senadora da Republica? Essa senhora representa a essência desse (des)governo.

Deixe um comentário

Deixe um comentário