O boletim da Folha de S.Paulo que chega todo fim de madrugada para os assinantes do jornal pingou nesta sexta-feira, 20, com o assunto: “Poderes querem diálogo, Bolsonaro resiste”.

Então ficamos assim: os Poderem diuturnamente ameaçados, inclusive com armas – da Taurus ou de guerra – são os que recuam, vacilam, titubeiam, acenam com novas reuniões com o presidente da República e seus generais de estimação, que estão à vontade até para prognosticar que não haverá eleições; já a besta-fera cruza os braços, solta novos fogos pelas ventas, dá de ombros: “resiste”.

Na escola do mundo ao avesso, dizia Eduardo Galeano, o bafo de Lúcifer vai toldando o universo – ou pelo menos o Brasil.

Venham ver o rio que cospe fogo!
O Senhor Sol iluminando a noite!
A Senhora Lua em pleno dia!
As Senhoritas Estrelas expulsas do céu!
O bufão sentado no trono do rei!

Nos mais fresquinhos sinais pelo “diálogo”, Luis Roberto Barroso convidou um representante da Forças Armadas para tutelar o próximo processo eleitoral, e a mídia brasileira informa que entre a maioria dos senadores impera a percepção de que rejeitar a recondução de Augusto Aras à PGR seria “um ponto muito fora da curva”.

Insistem, reincidem, querem diálogo, em nome da harmonia entre os Poderes; em nome da República, da Democracia, como se elas fossem compatíveis com os ratos que as roeram além das roupas.

Mandam sinais de distensão, como se jogassem xadrez com a esfinge; como se Jair Bolsonaro não fosse cristalinamente o que é; como se Bolsonaro fosse algum enigma que, decifrado, deixaria de afligir a cidade de Tebas.

Serão devorados.

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