Em 2018, num ato de campanha, o policial Daniel Silveira quebrou uma placa de homenagem a Marielle Franco no Rio de Janeiro. Como prêmio, foi eleito deputado federal.

No ano seguinte, em 2019, 0 deputado Coronel Tadeu quebrou uma placa sobre o Dia da Consciência Negra em Pleno Congresso Nacional.

Como prêmio, Coronel Tadeu ganhou os cumprimentos de Daniel Silveira no plenário da Câmara, conforme flagrado na época pelo repórter Lula Marques:

Como prêmio, ou melhor, como “punição” pelo quebra-quebra racista, Coronel Tadeu ganhou do Conselho de Ética da Câmara uma “censura verbal”…

Nesta quarta-feira, 27, Coronel Tadeu entregou a Daniel Silveira, na tribuna da Câmara dos Deputados, um quadro emoldurado com o “indulto da graça” dado por Jair Bolsonaro ao brutamontes amante do AI-5.

Mais tarde, no Palácio do Planalto, Tadeu, Silveira e Bolsonaro posaram para as câmeras, sorridentes, segurando a ditadura emoldurada, durante ato contra o Poder Judiciário promovido na sede do Poder Executivo que contou com a participação de pelo menos dois generais do Exército de Caxias.

No ato, Bolsonaro ampliou, literalmente, as ameaças ao processo eleitoral de 2022: “não pense que uma possível suspeição da eleição vai ser apenas no voto para presidente. Vai entrar no Senado, Câmara”.

Daniel Silveira quer um novo prêmio: ser eleito Senador pelo Rio de Janeiro em 2022.

Em seguida, Bolsonaro disse que há, porém, uma maneira “para a gente confiar nas eleições”.

Esta: “temos um computador também das Forças Armadas para contar os votos”.

Vem aí uma nova Lei Fleury

Ontem mesmo, no mesmo Conselho de Ética da Câmara, Eduardo Bolsonaro reafirmou a “piada” que fez sobre a tortura com jiboia, com tudo, de Miriam Leitão na ditadura anterior (“tenho pena da cobra”).

Ontem ainda, o partido de Bolsonaro, o PL, anunciou que a deputada Carla Zambelli apresentou um projeto de lei “para correção das arbitrariedades contra jornalistas, políticos, influenciadores digitais, caminhoneiros e todos que de algum modo estão tendo suas liberdades constitucionais cerceadas”

Leia-se: “para correção das arbitrariedades” contra Allan dos Santos, Roberto Jefferson, Bárbara Te Atualizei, Zé Trovão, etc.

Com as assinaturas de pelo menos 40 deputados, o PL para livrar bolsonaristas deve ser protocolado junto à mesa da Câmara ainda nesta semana, quase 50 anos após a promulgação da Lei Fleury, editada pela ditadura, a outra, com o casuísmo de livrar o delegado Sérgio Paranhos Fleury, do Dops, de ir em cana por seu envolvimento com o Esquadrão da Morte.

O PL de Zambelli está em fase de desnovelo de pendências burocráticas e deve tramitar em breve nela, a Comissão de Constituição e Justiça, da qual Daniel Silveira agora é membro titular.

As instituições seguem funcionando maravilhosamente bem.

Sumiram até as notinhas de repúdio

Sobre tudo o que aconteceu nesta new quarta-feira de cinzas caindo em pleno abril, até agora não apareceram sequer estas figuras do folclore brasileiro não estudadas por Câmara Cascudo: as notinhas de repúdio.

No duro, no duro, até elas nós perdemos: as últimas notas de repúdio de que se tem notícia nesta várzea foram uma do Ministério da Defesa, publicada no último dia 24 e atacando o fiapinho de Democracia que restou, e outra da Funai, do dia 25, atacando índios.

E a estratégia de “sangrar Bolsonaro até 2022”?

Pelo visto era vidro. Quebrou-se. Sobrou apenas, ora viva, a moldura.

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