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O Double Trouble Crow que está empoleirado na presidência da República convocou suas falanges para dar um “último recado” ao TSE e ao STF. O recado do general Braga Netto de que não haverá eleições em 2022 sem voto impresso teria sido, então, o penúltimo.

Segundo informou Leonardo Sakamoto neste sábado, 14, no UOL, após Bolsonaro dar a senha, as milícias digitais bolsonaristas já tentam viabilizar massivas manifestações de ultimato, por assim dizer, para o próximo 7 de setembro.

Mas, como lembra o próprio Sakamoto:

“Quando falou no ‘último recado’, o presidente disse que estaria atendendo ao ‘povo’. Contudo, pelos números do último Datafolha, a parcela dos brasileiros que concorda totalmente com tudo o que ele diz é de 15% da população. Não é desprezível, mas está longe de representar maioria”.

Não deve ajudar muito a promessa dos latifundiários, desculpe, do “agronegócio”, de que “vai estar dando suporte e alimentação para essas milhares de pessoas”.

De preocupar é, isto sim, a falta de pronta e firme reação dos chefes dos Poderes Legislativo e Judiciário quando o chefe do Poder Executivo se anima para distribuir ultimatos golpistas, seja da própria boca, seja pela de um dos seus generais de estimação.

E olha que faz pouco mais de um mês que o comandante da Aeronáutica cacarejou que “homem armado não ameaça”. Pois sim.

De resto, quem conhece a obra do escritor moçambicano Mia Couto poderá se lembrar do conto “O último aviso do corvo falador”.

Neste conto, um homem que vomitou um corvo das próprias entranhas se vale do acontecimento extraordinário para se tornar um charlatão, causando alvoroço quando anuncia que recebe recados do além pela via do grasnar do bicho.

Terminam surrados, corvo e charlatão.

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