Luis Almagro e Edson Fachin assinam acordo para observação das eleições no Brasil pela OEA (Foto: Divulgação/OEA).

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Tratando da confidência de John Bolton, que se definiu como “alguém que já ajudou a planejar golpes de estado, mas não aqui [nos EUA]”, Janio de Freitas abre um parêntese em sua coluna deste domingo, 17, na Folha, e chama atenção para um segundo convite infeliz feito pelo TSE para atestar a lisura das eleições 2022, além do convite às Forças Armadas:

A partir da conclusão de observadores da OEA, a reeleição do índio Evo Morales na Bolívia foi dada como fraudulenta, e ele decidiu renunciar em 10 de novembro de 2019. Aguentara três meses de fortes manifestações, que vinham de antes da eleição (13 de outubro de 2019) já com a acusação de fraude — como no Brasil de 2018, como nos EUA de 2020. Não por táticas isoladas, claro.

Houve inúmeras denúncias de interferência americana na conturbação do país, ainda com Bolton como operador da “segurança externa” dos EUA. Os indícios incitaram a ONU e duas universidades americanas (uma delas, Harvard) a investigações próprias sobre a fraude acusada.

Resultado unânime: eleição sem fraude, vitória limpa de Evo no primeiro turno. Fraudulenta foi a OEA, tão integrante dos domínios americanos quanto o Havaí ou o Alasca. Secretário-geral da entidade, Luis Almagro articulou a alegada observação e as conclusões golpistas da OEA.

(Aqui, o TSE tem sido infeliz em convites recentes. Além da gentileza ao Exército, que virou oportunidade de golpismo, convidou a OEA para observadora. E quem observará os observadores da OEA de Luis Almagro, ainda em ação?)

De fato: a flagrante participação da OEA no golpe de 2019 na Bolívia, inventando uma fraude eleitoral, deveria desqualificá-la para observar eleições em qualquer outro país. Ainda mais em um país sob ameaças de golpe sob o pretexto de uma fraude eleitoral inventada. É simplesmente impensável.

Edson Fachin, porém, achou que esta seria uma boa ideia e no dia 5 de julho foi até Washington assinar com Luis Almagro um acordo de procedimentos para a realização da Missão de Observação Eleitoral da OEA no Brasil em 2022.

Foi um dia antes de o general Paulo Sergio Nogueira dizer na Câmara dos Deputados que as Forças Armadas “estavam quietinhas no seu canto” quando foram convidadas pelo TSE para a Comissão de Transparência das Eleições.

Após o golpe na Bolívia, em 2020, Luis Almagro, então “candidato da direita no hemisfério”, foi reeleito para mais cinco anos como secretário-geral da OEA. Na última Cúpula das Américas, realizada em junho, em Los Angeles, o uruguaio foi alvo de duras críticas das delegações do México e da Argentina. O presidente da Argentina, Alberto Fernández, chegou a pedir a destituição de Almagro do cargo.

O chefe da diplomacia americana para a América Latina e o Caribe, Brian Nichols, saiu em defesa do chefe da OEA, dizendo que a organização tem desempenhado um “papel crucial” como “observadora-chave” de eleições…

‘Verdade e paz’

Durante a última Cúpula das Américas, em uma conferência sobre liberdade de imprensa, democracia e direitos humanos, um participante interrompeu a fala de Almagro e disse:

“Luis Almagro, por causa das suas mentiras, houve um golpe contra um governo eleito de forma democrática na Bolívia. A ditadura que você ajudou a instalar massacrou 36 pessoas que protestavam pela restauração da democracia em seu país. Você é um assassino e uma marionete dos Estados Unidos”.

E nunca é demais lembrar o inacreditável tuíte de Luis Almagro quando da eleição de Jair Bolsonaro em 2018:

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