‘O primeiro debate dos candidatos a presidente da República andava morno na casa da hora e meia quando teve aquilo que os comentaristas de política costumam chamar de “ponto alto”.

Naquela altura, a jornalista Patrícia Campos Mello dirigiu a Lula, pedindo comentário de Ciro Gomes, uma pergunta sobre Ciro e Lula indo às turras – com Ciro, digamos, tomando a iniciativa – num quadrante decisivo da história do país.

Foi quando Lula estendeu a mão a Ciro Gomes, com toda deferência e respeito, e Ciro Gomes bateu forte na mão de Lula (é prudente pontuar: no sentido figurado), classificando-o como “encantador de serpentes” e daí para cima, ou melhor, para baixo.

Por falar em mãos, só faltou Ciro Gomes chamar Lula de “nove dedos”, como fazem os mais pedestres bolsonaristas, com o perdão do pleonasmo.

Ciro Gomes tem razão, e muita, em muitas das críticas que faz a Lula e ao lulismo. Isto é uma coisa. Aderir alegremente à mais tresloucada descompostura antipetista, é outra.

Após o “ponto alto”, ainda deu tempo de Ciro Gomes ressuscitar o “mensalão” e fazer esquete de “se o PT voltar” com Felipe d’Avila.

Ciro Gomes já está, de novo, em Paris.

O “ponto alto” do debate foi, infelizmente, um ponto baixo para o Brasil.

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