Janaína Paschoal na tribuna do Senado, golpe de 2016 (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado).

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Em reta final de mandato de deputada estadual em São Paulo, Janaina acorda todo dia às quatro e meia pensando em amealhar o voto ultradireitista, fascista – que a imprensa, depois de tudo, insiste em chamar de “conservador” -, para sua candidatura ao Senado no ano que vem.

Em recente entrevista à Folha, Janaína Paschoal disse que não vai tentar a reeleição para a Alesp porque “cismou” com o Senado, onde fulgurou como “jurista” do golpe em 2016. Para chegar lá, a doutora diz confiar no eleitor que “não é radical”, que “olha os fatos, o mérito da matéria”, que percebe nela, Janaína, o “diferencial de ser uma pessoa técnica”.

Faz-me rir.

“Pessoa técnica” do golpe contra Dilma Rousseff, Janaina sabe muito bem que o que fez dela a deputada estadual mais votada no Brasil em 2018 foi menos o choro blandicioso de quando pediu desculpas a Dilma, mas “não podia me omitir”, e mais o grotesco espetáculo antipetista que protagonizou na Faculdade de Direito da USP, aos gritos enfezados de “vocês querem servir a uma cobra?”.

Janaína sabe que para virar senadora precisa disputar aquele voto, o fascista, num cenário que se desenha com José Luiz Datena, Abraham Weintraub, Luiz Philippe de Orleans e Bragança e Ricardo Salles se acotovelando em busca de viabilidade, pela direita, para a disputa pela única vaga no Senado por São Paulo que estará em jogo em 2022.

É um menu para nazi nenhum botar defeito.

Ciente, portanto, de que os votos lavajatistas não lhes serão suficientes, e após flertar com o comunismo, por assim dizer, com críticas pontuais a Bolsonaro, Janaina Paschoal, no último sábado, 7, exortou o padre Julio Lancelotti a parar de distribuir marmitas na cracolândia, porque melhor é deixar os usuários de drogas – os da cracolândia, não os da Faria Lima – definharem por inanição: “alimentar no vício só estimula o ciclo vicioso”.

O escritor português Valter Hugo Mãe deu ao primeiro capítulo do seu romance “A máquina de fazer espanhóis” o título “O fascismo dos homens bons”.

“Se não dermos nas vistas, podemos passar uma vida inteira com os piores instintos, e ninguém o saberá. Com a liberdade, só os cretinos mais incautos passaram a ser má gente”, diz um personagem logo nas primeiras linhas.

Janaína acorda todo dia às quatro meia e, já na hora de ir pra cama, Janaína pensa que, na verdade, se ninguém souber dos seus piores instintos, se não der nas vistas, se tiver cautela, ficará para trás na briga, entre os da sua laia, por uma vaga na 57ª legislatura do Congresso Nacional.

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