Walter Braga Netto.

De bombas, todos eles gostam. Já a diferença do deputado Daniel Silveira para o ministro da Defesa, general Walter Souza Braga Netto, e para os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica é que os militares seguem impunes, posto que reincidentes, por “fazer propaganda de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política ou social”.

Em mais uma “ordem do dia alusiva ao dia 31 de março” de 1964, publicada na noite desta quarta-feira, 30, Braga Netto, o general não sei das quantas, o almirante não sei de quê e o brigadeiro sabe-se lá quem reafirmam, à luz do dia, em documento oficial, a pretensa justeza de que “os anseios e as aspirações da população” resultem em golpe de Estado, a depender da interpretação maior conjunta verde-oliva, branco-naval e azul-força-aérea.

Foi justo ontem, segundo Braga Netto e os comandantes das três Forças Armadas, e, por inferência, seria justo hoje, tendo em vista que a figura à qual as FFAA se associaram e que tentará a reeleição para a presidência da República vem dobrando a aposta na procura do inimigo entre o povo brasileiro – o “mal” via de regra identificado no “bandido vermelho” que busca “transformar o Brasil numa Venezuela” e propaga “as falsas promessas do globalismo”.

A sintonia é fina: nesta linha, a ordem do dia que está sendo lida nesta quinta-feira, 31, em todas as unidades militares do país diz que em 1964 as Forças Armadas “reagiram para impedir que um regime totalitário fosse implantado no Brasil por grupos que propagavam promessas falaciosas”.

Braga Netto e os comandantes das três Forças reunidos no Palácio do Planalto dois dias antes de sair a edição de 2022 da “ordem do dia alusiva ao dia 31 de março” de 1964 (Foto: Clauber Cleber Caetano/PR).

O ministro da Defesa que nesta quarta assinou uma ordem do dia pró-golpes de Estado, no plural, nesta quinta se desincompatibiliza do cargo para ser candidato a vice-presidente na chapa cuja plataforma é, como foi a do “movimento” de 1964, o combate ao “inimigo interno”.

Não é demais lembrar que a série original “Silveira e a Tornozeleira” começou quando sua excelência o deputado evocou o AI-5 ao externar num vídeo que sonhava em ver Edson Fachin “levando uma surra na rua”.

Numa República digna do nome, da ideia, dos princípios, o Daniel Silveira candidato a vice e os Silveirinhas das três Forças estariam, das duas, uma: ou de uniformes, mas da penitenciária, ou de tornozeleiras eletrônicas, onde ainda poderiam, quem sabe, num tratamento humanitário, pendurar suas medalhas.

Deixe um comentário

Deixe um comentário Cancelar resposta