Três coordenadores do Grupo Prerrogativas, formado por juristas, advogados e defensores públicos, pediram nesta terça-feira, 17, ao relator do inquérito no STF que investiga atos antidemocráticos, ministro Alexandre de Moraes, a anulação da diplomação e a consequente suspensão da posse do líder armamentista Marcos Sborowski Pollon (PL-MS) como deputado federal.

Além de Pollon, a petição do Grupo Prerrogativas tem como alvos outros quatro deputados eleitos ou reeleitos em outubro do ano passado pelo Mato Grosso do Sul. Dois deles já foram, como Pollon, diplomados deputados federais: Rodolfo Nogueira, também do PL e conhecido como “Gordinho do Bolsonaro”, e Dr. Luiz Ovando, do PP. Os outros dois foram eleitos deputados estaduais: João Henrique Catan, outro do PL, e Rafael Tavares, este do PRTB.

“Todos apoiaram o atentado cometido contra a Democracia brasileira no último dia 8 de janeiro”, diz a petição.

Marcos Pollon é advogado com histórico de atuação para o agronegócio; é fundador e presidente da maior organização armamentista do Brasil, o Movimento Pró-Armas, que está profundamente imiscuído na política; é próximo a Jair e a Eduardo Bolsonaro; foi o candidato a deputado federal mais votado no Mato Grosso do Sul; teve seu nome e a organização armamentista que comanda citados pelo terrorista George Washington de Oliveira Sousa, que tentou explodir uma bomba em Brasília na véspera do Natal.

Marcos Pollon e Eduardo Bolsonaro.

Na campanha, Marcos Pollon adotou o slogan “Bolsonaro duas vezes”, em referência ao seu número de urna – 2222. Após as eleições, Pollon apoiou o movimento golpista que culminou na tentativa de golpe de Estado do 8/1.

Logo após o segundo turno, Marcos Pollon publicou um vídeo no YouTube pedindo que sua audiência de dezenas de milhares de pessoas prestasse atenção do que seria dito, mas “também no que não vai ser dito”, porque, segundo ele, era chegada a hora de “agir com inteligência e continuar mandando a mensagem de forma que dificulte os censores”.

Ou isso, disse Pollon no vídeo, que já foi apagado, “ou rasgar o verbo e amanhã o canal está derrubado e o mandato – e eu nem fui diplomado ainda – está cassado”.

O vídeo, intitulado “Ou ficar a pátria livre…”, foi postado por Marcos Pollon no dia 1º de novembro, em seguida ao primeiro pronunciamento pós-eleitoral de Jair Bolsonaro.

Veja Pollon mandando a mensagem em um trecho do vídeo apagado, contando o que respondeu a um pedido de orientação feito por um homem – “Talarico”, de Naviraí-MS – que ficou atordoado com o pronunciamento “dúbio” feito por Bolsonaro dois dias após a derrota para Lula:

“O presidente deixou bem claro que não reconhece a higidez do processo. ‘Qual processo?’, você pergunta. O processo do Kafka”.

“’Ah, e agora?’. Seguiremos com manifestações pacíficas e ordeiras. É isso o que pode ser falado. Parece que as pessoas não querem compreender o que você fala. Você explica, você desenha a explicação, explica o desenho, desenha a explicação do desenho… O que vocês esperam? Uma manifestação expressa de ruptura? Não haverá. Nem da parte do presidente, nem da minha parte, porque isso aí seria um suicídio”.

Dia 14 de novembro: este é Marcos Pollon incitando novamente, nas entrelinhas, um golpe de Estado:

Dia 15 de novembro: este é o empresário Adriano Hilario Talarico Soletti, de Naviraí:

Come Ananás apurou que foi ele quem pediu orientação a Marcos Pollon após a fala “dúbia” de Bolsonaro, dois dias depois do segundo turno. Na foto, Talarico aparece em Brasília, vestido a caráter para participar da manifestação golpista de radicais bolsonaristas (“pacífica e ordeira”, segundo Marcos Pollon) realizada naquele 15 de novembro no Distrito Federal.

Para Talarico, e para tantos e tantos outros “patriotas” bons entendedores, meia palavra basta.

“Não é aceitável ou imaginável que pessoas que tenham sido eleitas como representantes do povo em um regime democrático, por meio de eleição livre, possam apoiar, incentivar e mesmo participar de atos que atentem contra o Estado Democrático de Direito”, diz a petição que o Grupo Prerrogativas encaminhou nesta terça para a mesa de Alexandre de Moraes.

Ataque às urnas eletrônicas

Durante a campanha eleitoral, Marcos Pollon chegou a acionar o Come Ananás no TRE do Mato Grosso do Sul, pedindo direito de resposta por Come Ananás ter noticiado que o então candidato havia dito à sua audiência de atiradores, no YouTube, que no dia da eleição “provavelmente” ia acontecer de “você votar em um e aparecer o nome do outro” na urna eletrônica.

Veja:

No mesmo vídeo, Pollon insinuou ligação de Alexandre de Moares com o PCC e se referiu a Moraes como “supremo ditador”.

O juiz do TRE-MS responsável pelo caso não apenas indeferiu o pedido de direito de resposta feito por Marcos Pollon, mas ainda determinou que os autos fossem encaminhados ao Ministério Público Eleitoral para investigação de ilícitos eleitorais.

Agora, além da anulação da diplomação e suspensão da posse de Marcos Pollon e de outros quatro golpistas sul-mato-grossenses, o Grupo Prerrogativas pede ainda a Alexandre de Moraes que “seja determinada a instauração de inquérito policial para apuração da responsabilidade penal dos requeridos em relação aos atos criminosos praticados no dia 8 de janeiro”.

Leia abaixo, na íntegra, a petição do Grupo Prerrogativas.


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