Fabio Faria, ministro das Comunicações, e Elon Musk (Foto: Reprodução/Twitter).

Fortaleça a imprensa democrática brasileira

Abreviada para apenas aos domingos e cuidadosamente escondida na Folha Online e na Folha de papel (raramente é possível achá-la referida na homepage ou na capa do jornal), a coluna do nonagenário Janio de Freitas segue sendo um brilho, por um átimo semanal, no vazio predominante na mídia corporativa.

Neste domingo, 22, Janio de Freitas, como de costume, chama as coisas pelo nome certo – e certeiro – que elas têm. No caso, o crime de lesa-pátria, com participação das Forças Armadas e de Dias Toffoli, que é a entrega da Amazônia, ao arrepio de trâmites, instâncias e da lei – e em contradição com a ideologia militar brasileira -, à tutela de um homem que tem a força de países e que poderá, caso prospere a ignomínia, devassar e minerar dados sobre o Brasil e os brasileiros, usando, nas palavras de Janio, seus “meios conhecidos e desconhecidos”

E tudo como peça do quebra-cabeça de um prenunciado golpe financeiro-eleitoral.

“O que emergirá da contradição não se prevê, e não cabem otimismos. Nem se sabe o que esperar dos poderes do Congresso desconsiderado e do Judiciário na guarda da Constituição. Sabe-se, isso sim, que a fortuna excessiva e os meios conhecidos e desconhecidos de Musk estarão muito interessados em vitória de Bolsonaro sobre Lula. Aos golpes militares sobreveio o golpe parlamentar contra Dilma; Moro e Dallagnol deram o golpe eleitoral com incentivos externos, e agora prenuncia-se o golpe financeiro-eleitoral. Sempre disseram que o brasileiro é muito criativo”, diz Janio.

Do artigo de Janio de Freitas sobressaem dois pontos fundamentais, até aqui negligenciados pelo bocado do campo democrático que, na contramão do que informa uma sucessão de fatos objetivos, aferra-se a que “não há mais espaço para quarteladas” e que “não vai ter golpe porque Bolsonaro não tem apoio externo”: há muitos tipos de golpe, como a história recente do Brasil mostra cristalinamente, e muitas vertentes possíveis de apoio externo (e militar) para sua execução.

“Sempre disseram que o brasileiro é muito criativo”.

Uma variação da gaiatice autorreferente, e mistificadora, aludida ironicamente por Janio de Feitas é que “o brasileiro precisa ser estudado pela Nasa”.

Ou pela Starlink.

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