Arthur Lira (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil).

Arthur César Pereira de Lira, o César que preside a Câmara dos Deputados, decidiu que o Conselho de Ética da Câmara, instalado nesta quarta-feira, 19, vai punir três deputados bolsonaristas e três deputados governistas, a título de “freio para baixarias”. A informação é do repórter Pedro Figueiredo, da Globo News.

Traduzindo do latim dos césares: cometendo o absurdo político de pôr bolsonaristas e integrantes da base de um governo democrático desta forma – como três quilos de chã e três quilos de patinho em cada um dos lados da balança do açougue -, Lira quer persuadir o mais franco fascismo a que beba com moderação nos discursos de ódio.

Como se isso fosse possível.

Há ainda, além do político, um absurdo jurídico, a não ser que as duas esferas tenham assinado de vez, nesta várzea, o divórcio. Este absurdo aqui: o de “três punições pra lá, três punições pra cá” – como, aliás, na “lei da compensação” das piores arbitragens de futebol.

Além de tudo isso, César has a problem: não há três governistas na fila das 14 representações contra deputados da 57ª legislatura esperando para serem analisadas pelo Conselho de Ética da Câmara. Há uma única, e ela é uma farsa. Arthur Lira irá escolher, à base do polegar, três deputados da base de Lula para receberem punições?

A representação farsesca feita pelo PL de Jair Bolsonaro é contra o deputado Márcio Jerry (PCdoB/MA), por assédio à deputada Julia Zanatta (PL/SC). Também conhecida como “antifeminista do fuzil”, conhecida também como a “dona de casa opressora”, Zanatta, ela própria, foi representada pelo Psol no Conselho de Ética por exibir-se, de arma em punho, no exercício do mandato, com uma camiseta estampada com a mão de Lula crivada por três tiros.

O PL acusa Márcio Jerry de assédio porque o deputado, durante uma balbúrdia em uma comissão da Câmara, aproximou-se de Julia Zanatta para se fazer ouvir em seu apelo por respeito a uma outra deputada, Lídice da Mata (PSB/BA), com quem “dona de casa opressora” travava uma acalorada discussão. Zanatta et caterva congelaram um frame do vídeo do episódio para fazer parecer que Jerry deu-lhe um “cheiro no cangote”.

Por outro lado, entre as 14 representações que o Conselho de Ética finalmente instalado irá analisar, 10 são contra deputados do PL, por motivos desde transfobia na tribuna da Câmara até apoio nas redes sociais aos ataques terroristas de 8 de janeiro em Brasília. Isso em menos de três meses da 57ª legislatura.

Além de Julia Zanatta, são eles André Fernandes (CE), Abilio Brunini (MT), Silvia Waiãpi (AP), José Medeiros (MT), Nikolas Ferreira (MG), Carlos Jordy (RJ), Cabo Gilberto Silva (PB), Delegado Paulo Bilynskyj (SP) e Eduardo Bolsonaro (SP).

Há ainda uma representação contra um deputado do Podemos (Mauricio Marcon/RS), outra com um deputado do MDB (Otoni de Paula/RJ), e uma terceira contra um deputado do PP (Clarissa Tercio/PE).

Nesta quarta-feira, 19, em uma homenagem aos singelos esforços de Arthur Lira de aquietação do fascismo à brasileira, Eduardo Bolsonaro, um dos representados do PL no Conselho de Ética, chamou um colega deputado de “veado” durante uma reunião da Comissão de Trabalho da Câmara.

De resto, na nova composição do Conselho de Ética da Câmara vai uma grande ironia, ou melhor, uma imagem exemplar deste país que insiste, insiste e insiste em não aprender com os próprios erros.

Entre os quatro deputados do PL que integram o colegiado está o bolsonarista Marcos Pollon, fundador do Movimento Pró-Armas e campeão de votos no Mato Grosso do Sul. Em janeiro, chegou às mãos do ministro do STF Alexandre de Moraes um pedido de suspenção da diplomação e impedimento da posse de 11 deputados federais eleitos, por motivo de incitação, em redes sociais, dos atos de 8 de Janeiro. Entre eles, Marcos Pollon.

Moraes rejeitou o pedido, feito pelo Grupo Prerrogativas, e mandou oficiar… Arthur Lira, para… “adoção das providências que entender cabíveis no âmbito do Conselho de Ética”.

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