Fortaleça a imprensa democrática brasileira

A cena do patriota do caminhão finalmente ganhou forte concorrência pelo título de imagem mais bizarra da comédia dramática “Brazil Was Stolen”. Trata-se da cena de patriotas fazendo piscar seus celulares apontados para as estrelas, pedindo, digamos, “intervenção alienígena já” – já que a dos quartéis e a divina não vêm.

Filmada em Porto Alegre, onde recentemente ovinis ziguezaguearam sob o firmamento, esta cena remete a uma terceira, a melhor de “Marte ataca”, insólito filme de Tim Burton lançado em 1996.

A cena começa com um general estadunidense chegando à cidade de Pahrump, no deserto de Mojave, estado de Nevada, para recepcionar uma comitiva marciana. O milico recebe em seu imenso radiotransmissor uma ligação de sua esposa.

Ele diz:

“Sim! Eu vou receber o embaixador marciano. Não é ótimo? Eu te disse, querida: se eu ficasse no mesmo emprego, quietinho, coisas boas poderiam acontecer”.

Além de um grande contingente militar, acorre ao deserto uma multidão desiludida, frustrada, agarrada à esperança de uma qualquer redenção interestelar.

Quando o disco voador se aproxima, uma repórter que parece muito a Eliane Cantanhêde nota que a nave vem “cintilando no céu de Nevada como uma calota gigante”. Ao contrário do roteirista de “Brazil Was Stolen”, porém, Tim Burton não pensou em pôr figurantes rezando para um pneu de caminhão.

Nem Tim Burton…

A nave aterrissa. O embaixador marciano desembarca. O general se aproxima, presta uma continência e se anuncia ao embaixador alien: “sou o comandante das Forças Armadas”. O alien responde alguma coisa em marcianês. Sem problema. Uma imensa máquina, precursora do Google Translate, verte a mensagem para o idioma de Steve Bannon: “we come in peace”.

A multidão vai à loucura. As pessoas choram de emoção. Aplausos entusiasmados. Seus chamados finalmente foram atendidos. Na plateia, um riponga repete com seus botões as palavras do visitante, “we come in peace”, e, em seguida, solta uma pomba branca da paz.

A pomba voa graciosa sob o céu azul do Mojav; sobre a turba eufórica, em transe. Quando o embaixador marciano avista a ave, porém, parece interpretar o voo columbino como um ato hostil. O fato é que o ET saca um fuzil desintegrador, abate a pomba, pulveriza o general e dizima a plateia.

Cuidado, patriota, com o que deseja.

Deixe um comentário

Deixe um comentário