Com uma plataforma eleitoral de peso, 660 mil mortos, e ainda contando, alguns dos personagens mais destacados da gestão desgovernada, negacionista e corrupta da pandemia de covid-19 no Brasil vão tentar a sorte em outubro em busca de seus primeiros cargos eletivos: do general Eduardo Pazuello ao general Walter Braga Netto, passando pela “Capitã Cloroquina” Mayra Pinheiro e pela médica Nise Yamaguchi.

Em comum, todos eles foram indiciados no relatório final da CPI da Pandemia pelo crime de “epidemia com resultado morte”. Serão candidatos nas eleições 2022 com os cumprimentos do inerte Augusto Aras.

Pazuello

Há pouco mais de uma semana, no dia 23 de março, o site Metrópoles dava como certa a filiação do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello ao Progressistas, partido pelo qual o general, agora da reserva, disputaria uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro.

No PP, Pazuello usaria o mesmo número de urna com que Jair Bolsonaro se elegeu deputado federal pelo Rio em 2006, 2010 e 2014.

Phopho: um número manda, o mesmo número obedece.

Nesta quinta, 31, porém, Pazuello disse à Veja que o partido pelo qual disputará as eleições 2022 ainda não está definido: “está sendo decidido aí. Vai ser algum partido que apoie o presidente Bolsonaro”.

‘Capitã Cloroquina’

Já Mayra Pinheiro, a “Capitão Cloroquina” de Pazuello na Saúde, não é novata em disputas eleitorais. Em 2014 e em 2018, Mayra foi candidata, mas duas vezes derrotada, à Câmara e ao Senado pelo Ceará e pelo PSDB. Em outubro, tentará se eleger para a Câmara dos Deputados pelo PL de Jair Bolsonaro.

Em recente vídeo de apoio à candidatura de Mayra Pinheiro, seu outro ex-chefe, Marcelo Queiroga, referiu-se a ela como “Capitã Saúde”.

Há dois dias, Mayra publicou em sua conta numa rede social, com o logotipo que deve usar na campanha, um outro vídeo, este do médico francês Didier Raoult, o ídolo do senador Luis Carlos Heinze.

Na legenda, a esta altura do campeonato, Mayra Pinheiro diz que “os inoculantes criados em tempo recorde para evitar a covid não protegem contra a contaminação e a transmissão da doença” (nenhuma palavra sobre a proteção contra o agravamento da doença) e que “pessoas que vêm para se testar são mais propensas a ter Omicron se forem vacinadas do que se não forem”.

Yamaguchi

Integrante do gabinete paralelo que influenciou o negacionismo de Bolsonaro nos piores momentos da pandemia, a médica Nise Yamaguchi é pré-candidata ao Senado por São Paulo e pelo PTB.

Nise se filiou ao PTB no mesmo evento em que também entraram no partido a médica Maria Emilia Gadelha Serra, que divulga conteúdo antivacinação infantil em seu canal “Saúde no Trombone” no Telegram, e ninguém menos que Adrilles Jorge, que recentemente fez uma saudação nazista na Jovem Pan.

Nise Yamaguchi em gravação de programa eleitoral do PTB (Foto: Reprodução/Twitter).

Braga Netto

O general Walter Souza Braga Netto, ex-interventor no Rio de Janeiro, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, ex-ministro da Defesa, para sempre conhecedor de quem mandou matar Marielle Franco, é o provável candidato a vice na chapa encabeçada pelo genocida em pessoa.

Imunidade de rebanho

Já algumas outras destacadas e famigeradas figuras da pandemia acabaram desistindo de tentar vagas no Congresso, como Luciano Hang e Queiroga. Queiroga, porém, irá lançar seu filho Antônio Cristóvão Neto, de 22 anos, vulgo Queiroguinha, a candidato a deputado federal pela Paraíba e pelo PL de Jair Bolsonaro.

Já outros indiciados pela CPI, mas que são menos notórios, também devem se submeter às urnas pela primeira vez nas eleições de outubro. São os casos do blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio e do integrante do Gabinete do Ódio Tercio Arnaud, os dois arrolados por “incitação ao crime”.

Quem de todos estes, dos mais aos menos conhecidos, for eleito em outubro passará a ter foro por prerrogativa de função a partir de 2023. A princípio, não para os crimes do passado, mas para os do futuro do presente.

Eleitos, juntariam-se, de resto, aos também indiciados pela CPI Osmar Terra, Carla Zambelli, Bia Kicis, et caterva – esbirros do genocídio que têm praticamente garantidas suas respectivas reconduções ao Congresso Nacional.

As cenas seriam fortes: Bia Kicis recebendo Eduardo Pazuello de braços abertos na chapelaria; Osmar Terra dando as boas-vindas à Capitã Cloroquina no plenário da Câmara; Carla Zambelli aplaudindo a diplomação de Nise Yamaguchi. Todo mundo com imunidade parlamentar.

Isto sim seria “imunidade de rebanho”.

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2 Comentários

  1. Excelente matéria. Cabe destacar que a maioria deles apostaram que O CRIME COMPENSA. Não fosse os crimes cometidos, nunca passariam pela CPI e não teriam a visibilidade que têm hoje, mesmo esta visibilidade tendo sido obtida como fruto do mal, e não do bem, praticado.

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