Foto: Myke Sena/Ministério da Saúde.

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Mudaram as variantes. No Brasil, nada mudou.

Há indicações de que a relação entre o início dos sintomas da covid-19 e o pico da carga viral do Sars-Cov-2 no organismo humano não é mais a mesma desde a invasão mundial da Ômicron, a variante “branda” que está empinando não só as curvas de casos, mas a de internações e mortes também. Esta relação é a própria base de cálculo, por assim dizer, para as diretrizes de tempo de isolamento de pessoas que adoecem com covid.

Nesta segunda-feira, 10, o Ministério da Saúde anunciou alterações nestas diretrizes. O tempo de isolamento caiu de 10 para sete dias a partir do surgimento dos sintomas, desde que os sintomas tenham desaparecido, mas sem necessidade de um teste negativo para poder voltar à luta e ao vaivém cotidiano. A redução pode ser ainda maior, para cinco dias, se o doente não tiver apresentado nem febre nem sintomas respiratórios, e se tiver em mãos um teste negativo, sem distinção entre um PCR, padrão ouro, ou um teste rápido de antígeno, menos sensível.

A se confirmar a mudança na dinâmica da transmissão viral após a chegada da Ômicron, o que o Ministério da Saúde fez nesta segunda é tudo o que o Ministério da Saúde não poderia ter feito.

Comparativamente ao que foi observado ao longo de toda a pandemia, os sintomas da covid-19 parecem estar agora dando as caras até 72 horas mais cedo em relação ao pico da carga viral no organismo, que é o pico também da contagiosidade, ou seja, a possibilidade de o indivíduo doente infectar outras pessoas.

É o que mostra um estudo preliminar recém-publicado segundo o qual os testes rápidos de antígeno estão identificando contaminações pela nova variante em média com três dias de atraso em relação aos testes PCR. Isto põe em xeque, hoje, a eficácia dos testes rápidos para detectar covid causada pela Ômicron nos primeiros dias da infecção. Logo, isto põe em xeque a própria utilidade destes testes como instrumento de controle da pandemia. O Ministério da Saúde acaba de anunciar, como ação para controle da pandemia, que neste janeiro da Ômicron serão distribuídos 30 milhões de unidades destes testes no Brasil.

Alguns especialistas de renome vêm tentando alertar para os sinais de mudança na dinâmica da transmissão viral do Sars-Cov-2. É o caso do epidemiologista, imunologista e médico estadunidense Michael Mina, que desenhou o seguinte infográfico para tentar convencer o CDC a reconsiderar a diminuição do tempo de isolamento feita no fim do ano nos EUA, de 10 para cinco dias, e a exigir teste negativo para quem caiu doente poder retomar as atividades:

Sendo assim, com a Ômicron, se fosse para mudar tempo de isolamento de doentes covid, o prudente seria estender o tempo em três dias a partir do surgimento de sintomas. Não é difícil chegar a esta conclusão. O desgoverno de Jair Bolsonaro, porém, pelas mãos de Marcelo Queiroga, fez justamente o contrário: cortou três dias do tempo de isolamento, porque o Brasil não pode parar…

Se a tabelinha do senhor Mina estiver correta, Marcelo Queiroga acaba de liberar, por exemplo, tripulações de companhias aéreas para saírem do isolamento precisamente no momento em que se transformam em superinfecciosos da superinfecciosa variante Ômicron, e para se enfiarem em aviões.

Mudaram as variantes. No Brasil, nada mudou: para Bolsonaro, Queiroga, et caterva, o que já nos matou em mais de 620 mil continua sendo só uma gripezinha.

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