A se confirmarem as macabras informações veiculadas pela mídia brasileira na tarde desta quarta-feira, 15, citando fontes da Polícia Federal, dois pescadores ilegais da região do Vale do Javari esquartejaram e enterraram os corpos carbonizados de Bruno Pereira e Dom Phillips.

Uma terceira pessoa teria atirado e ateado fogo a Bruno e Dom porque o indigenista e o jornalista, ao honrarem seus respectivos ofícios, fizeram-se transtorno para pescadores ilegais de pirarucu possivelmente ligados ao narcotráfico.

De modo que são, portanto, pelo menos quatro os pescadores ilegais que de uma forma ou de outra trucidaram Bruno Pereira e Dom Phillips – três da floresta, um do Palácio do Planalto.

Três acertos de contas

Em 2012, o então deputado Jair Bolsonaro foi multado por pescar sardinha, robalo e cavalinha ilegalmente na Estação Ecológica de Tamoios, em Angra dos Reis. O servidor do Ibama que aplicou a multa foi exonerado em março de 2019, num acerto de contas levado a cabo logo após o pescador ilegal assumir a presidência da República.

Em outubro de 2019, o governo Bolsonaro, num outro acerto de contas, defenestrou Bruno Pereira do cargo de chefia que o indigenista ocupava na Funai logo após Bruno articular uma operação de órgãos de controle e de segurança no Vale de Javari que resultou num prejuízo de R$ 20 milhões para garimpeiros ilegais.

Antes de ser morto, Bruno recebeu ameaças de “vamo achar pra assertar as conta” da parte de pescadores ilegais: “se querem da prejuízo melho se aprontarem. Ta avisado”.

‘Jornalista bom é jornalista morto’

É como bem resumiu a jornalista Lucy Jordan na última quinta-feira, 9 de junho: o duplo homicídio de Bruno e Dom é “a consequência lógica de três anos de incentivo à violência contra indígenas e jornalistas”.

Tudo o que anda e rasteja e atua ilegalmente e pega, mata e esfola nas florestas, nas áreas rurais e nas cidades brasileiras tem o apoio de Jair Bolsonaro.

Horas antes de surgir a informação da confissão do crime por um dos pescadores da floresta, porém, Bolsonaro reclamou que estava sendo acionado na justiça pelo desaparecimento “daquele inglês, daquele brasileiro”. Pouco depois, disse que “esse inglês era malvisto na região”.

“Ele fazia muita matéria… contra garimpeiro…”, disse Bolsonaro, ferrenho defensor do garimpo sem freios na Amazônia. É praticamente dizer, dar a senha – mais uma – que “jornalista bom é jornalista morto”.

O perfil psicológico do assassino

Até agora, 10 dias após Bruno Pereira e Dom Phillips desaparecerem na floresta, Jair Bolsonaro não mencionou os nomes das (suas) vítimas.

A se confirmarem as macabras informações veiculadas pela mídia brasileira, Bruno Pereira e Dom Phillips foram mortos a tiros, queimados, esquartejados e enterrados no meio do mato. Ninguém precisará confirmar, porém, que Bruno e Dom foram devorados pelas feras.

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