Foto: reprodução/redes sociais.

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No dia em que Jair Bolsonaro aluga pela segunda vez um partido para disputar a presidência da República, assinando nesta terça-feira, 30, sua filiação ao PL, o Aliança Pelo Brasil, agremiação metraca-fascio-monarquista-neopentecostal fundada por Bolsonaro dois anos atrás, segue na luta para recolher o número necessário de apoiamentos para obter seu registro no TSE.

O “partido das pessoas leais a Bolsonaro” publicou seu estatuto em novembro de 2019. Naquele mês, Bolsonaro pôs uma aliança – aliança. Sacou? – no dedo de Michelle no palco do evento de lançamento do partido, num hotel em Brasília. Em dezembro daquele ano, o Aliança protocolou no TSE o pedido de reconhecimento de sua existência.

Na virada para 2020, a expectativa dos “aliados” era conseguir os necessários 491.967 apoiamentos em pelo menos nove estados da federação para lavrar o registro eleitoral do partido a tempo de filiar candidatos para a disputa das eleições municipais de 2020.

Se naquela época a pretensão soava, digamos, otimista, hoje soa como piada, ainda que o Aliança Pelo Brasil tenha contado com a heterodoxa ajuda de cartórios (alguns chegaram a exibir banners do partido); e por mais que onde houvesse uma manifestação golpista – e têm sido muitas – havia também um estande para implorar assinaturas para o Aliança, alguns decorados com a bandeira do Brasil Império.

Atualmente, o TSE registra miseráveis 162.739 apoiamentos ao registro eleitoral do Aliança Pelo Brasil. São Paulo é o estado onde há mais “aliados”: 31.393. Depois vêm o Distrito Federal (20.086), Maranhão (18.124) e Paraná (14.024). No Acre, o número de apoiamentos é zero.

Foto: reprodução/redes sociais.

No TSE, consta que o presidente do Aliança Pelo Brasil é Jair Bolsonaro. De modo que o presidente de um partido com fundação comunicada ao TSE vai concorrer por outro à reeleição para a presidência da República.

Para esperança de Waldemar Costa Netto, o dono do PL que almeja repetir em 2022 o que o dono do PSL, Luciano Bivar, logrou em 2020, ou seja, multiplicar a bancada da sua propriedade privada no Congresso Nacional surfando faceiro a misoginia, o racismo, as licenças para matar, a destruição do meio ambiente, as apologias a crimes de lesa-humanidade, enfim, tudo isso que apetece a certa parcela dos brasileiros.

Nesta semana, em entrevista à Globo News, algum jornalista impenitente perguntou a Luciano Bivar se ele, por seu turno, arrependia-se de ter dado guarida a Bolsonaro em 2018. Bivar respondeu que não, porque o PSL, afinal, elegeu a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados. Ele disse que, no máximo, teve algumas noites de insônia…

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