À meia-noite do dia 20 de julho de 1976, a ditadura da Argentina cortou a luz da localidade de Libertador General San Martín, província de Jujuy, no norte do país, e deu início a uma semana de sequestros de cerca de 400 trabalhadores, sindicalistas, militantes, ativistas, professores e estudantes.

Desnudado pela Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas em 1984, o episódio ficou conhecido como as “Noites do Apagão”. De 33 dos sequestrados naquela semana de terror até hoje não se sabe o paradeiro.

Na calada da noite, e no breu, a repressão argentina foi bater forte de porta em porta a bordo de caminhonetes emprestadas ao exército pelo Grupo Ledesma, uma das maiores empresas da Argentina, em um dos mais emblemáticos casos de responsabilidade empresarial nos crimes de lesa-humanidade cometidos pelas ditaduras civis-militares da América Latina.

Agora, 45 anos após as “Noites do Apagão”, o dono do grupo Ledesma, Carlos Pedro Tadeo Blaquier, vai a julgamento pela dobradinha que fez com a Ditadura argentina para sumir com pessoas.

“As detenções ilegais que ocorreram durante as ‘Noites do Apagão’ foram massivas e ocorreram praticamente ao mesmo tempo. Tudo isso envolveu e exigiu um número de veículos superior ao limitado número de veículos disponíveis para as forças de segurança locais. Por isso, a contribuição dos veículos da empresa teria sido decisiva para ter transporte suficiente para fazer frente às privações coletivas ilegais de liberdade”, sacramentou o juiz argentino que nesta semana tornou Carlos Blaquier reú.

Aqui mais nortes do cone, a Comissão Nacional da Verdade consignou em seu relatório a colaboração do Grupo Folha, proprietário do jornal Folha de S.Paulo, com a Operação Bandeirante da Ditadura brasileira, via empréstimo de caminhonetes de distribuição de jornais para fins de caça a opositores da “Revolução” de 1964, mais tarde classificada como “Ditabranda” pela Folha.

Aqui mais pros nortes do cone, não há nem sinal de responsabilização, nem empresarial, nem nada, pelos crimes de lesa-humanidade cometidos pela Ditadura civil-militar brasileira.

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