Próximo à família Bolsonaro, presidente da maior organização armamentista do Brasil, o Pró-Armas, e candidato do PL a deputado federal pelo Mato Grosso do Sul, o advogado Marcos Sborowski Pollon postou um vídeo no YouTube com informação falsa sobre as urnas eletrônicas, insinuando ligação de Alexandre de Moraes com o PCC e defendendo que os chamados CACs (colecionadores de armas, atiradores e caçadores) circulem armados no dia das eleições, naturalmente “para treinamento, competições e manejo de javalis”.

O vídeo foi postado na noite da última quinta-feira, 25, no canal de Marcos Pollon no YouTube, horas após o TSE decidir pela proibição de celulares nas cabines de votação e depois de a imprensa começar a repercutir que o presidente do tribunal, Alexandre de Moraes, pretende restringir o porte de armas por CACs nos dias do primeiro e segundo turnos das eleições.

O canal de Marcos Pollon no YouTube tem 140 mil inscritos.

No vídeo, ao comentar a decisão unânime do TSE sobre celulares, Pollon afirmou que ela foi tomada “pra gente não filmar as atrocidades que provavelmente vão acontecer: você votar em um e aparecer o nome do outro”.

A afirmação sobre “as atrocidades que provavelmente vão acontecer” nas eleições é absoluta e sabidamente falsa. Usado desde 1996, o sistema brasileiro de votação eletrônica já foi exaustivamente auditado por inúmeras entidades da sociedade civil. Nunca foi encontrada a menor possibilidade de fraude, muito menos do tipo “você votar em um e aparecer o nome do outro”.

Por espalhar desinformação praticamente idêntica a que Marcos Pollon difunde agora, o deputado estadual Fernando Francischini (União-PR) teve o mandato cassado pelo TSE e foi declarado inelegível por oito anos. No dia do primeiro turno das eleições 2018, Francischini publicou na internet um vídeo afirmando que no Paraná havia urnas eletrônicas adulteradas para registrar voto nulo quando o eleitor digitava o 17, então número eleitoral de Jair Bolsonaro.

O número de urna com o qual Marcos Pollon vai participar das eleições que põe sob suspeita é o 2222. Em uma referência ao novo número de urna de Jair Bolsonaro (22), Pollon adotou o slogan de campanha “Bolsonaro duas vezes”.

Rajadas de fake news

No mesmo vídeo, ao comentar a notícia de que Alexandre de Moraes trabalha para restringir o porte de trânsito dos CACs nos dias de votação, Marcos Pollon se referiu a Moraes como “supremo ditador” e insinuou ligações do presidente do TSE com o grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC), o que também é sabidamente enganoso.

“A dúvida que fica pra mim é a seguinte: por que não proibir o porte do PCC? Por que ele não vai desarmar os integrantes do PCC? Talvez porque o PCC seja uma facção que desperte algo no coração de algumas pessoas, né… O pessoal diz que o agro é fascista e de direita. Outro absurdo. Xandão, o supremo ditador, agora vem e quer proibir o porte do CAC. Por que não proibir o porte do PCC? O pessoal fala que existe alguma ligação dele com essa organização. Eu não sei até que ponto isso é verdade ou não, mas é assustador como não existe nenhuma preocupação do Supremo Tribunal Federal em desarmar bandido”.

Sobre Lula, a quem chama de “nove dedos”, Pollon foi além da insinuação e afirmou mesmo, no vídeo, sobre um candidato à presidência da República, que ele tem “comparsas do PCC”.

Quem vai revogar o posse e porte de trânsito que Marcos Pollon tem para andar por aí dando rajadas com sua metralhadora giratória de fake news?

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