Em meio ao apagão de informações sobre o estado da pandemia no Brasil, empreendimento dos junta-cadáveres Jair Bolsonaro e Marcelo Queiroga, o estado das UTIs país afora informa, dá conta, indica a possibilidade de que corre a véspera de um novo cenário mais trágico.

De Santarém, no Pará, onde o ano começou com fila para ocupar um dos 20 leitos de UTI covid existentes na cidade, a Penápolis, no noroeste do estado de São Paulo, onde todos os 10 leitos de UTI para paciente covid da Santa Casa municipal estavam ocupados nesta terça-feira, 4.

De Belo Horizonte, onde os mais de 200 leitos de enfermaria para covid na rede SUS estão com lotação máxima, a Fortaleza, onde 222 dos 250 leitos UTI estavam ocupados nesta terça, passando por Salvador, com seus 100% de ocupação de ano novo dos leitos de UTI pediátrica.

Nesta terça, sem mais vagas de tratamento intensivo na capital baiana para crianças que complicarem por covid, entrou em vigor um decreto do governador Rui Costa “flexibilizando” de 50% para 75% o limiar da ocupação de UTIs para a realização de eventos com mais de 100 pessoas. O cantor bolsonarista de axé music Netinho agradece.

Num déjà vu do pior momento da pandemia no Ceará, em maio de 2020, o secretário da Saúde do estado, Dr. Cabeto, já avisou que a lotação atual de UTIs em Fortaleza torna “impossível” transferir pacientes do interior.

Em Guarulhos, a mais populosa das cidade paulistas depois da capital, a taxa de ocupação das UTIs covid era de 48,5% no dia 30 de dezembro. Nesta terça, menos de uma semana depois, a taxa era de 74,2%.

Desde setembro do ano passado – portanto, há quatro meses – o desde o início bruxuleante monitoramento da pandemia no Brasil fez-se verdadeiro breu, com a marota mudança nas regras para notificação de exames do tipo antígeno na plataforma e-SUS Notifica.

Hoje, após os “ataques hackers” aos sistemas no Ministério da Saúde, há estados que já estão há mais de 20 dias sem contabilizar seus mortos covid no sistema nacional. Caso do Tocantins, onde quem precisa já não encontra vaga no Instituto de Terapia Intensiva da capital, Palmas.

Palmas.

Quem poderia ter feito algo para poupar o país deste grau mortífero de desgoverno, mas harmonizou, também merece os louros deste feito macabro.

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