São Paulo, 7 de maio: lançamento oficial da candidatura de Lula à presidência da República (Foto: Ricardo Stuckert).

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Da chegada de Lula ao som de “olê, olê, olá, Lula lá” tirado no trompete ao relançamento do mítico jingle “Lula Lá”, o pontapé inicial-oficial de uma nova candidatura de Luis Inácio Lula da Silva à presidência da República, dado neste sábado, 7, chega com ares de restart e com quatro anos de atraso, tragicamente, calamitosamente, criminosamente adiado pela dobradinha entre a mídia corporativa e o judiciário pusilânime, e com açulamento do PSDB que era o de Geraldo Alckmin.

A tardança de quatro anos de uma nova candidatura de Lula à presidência – a sabotagem do favoritismo democrático em 2018 em meio à ascensão do bolsofascismo no Brasil – é a maior chicana eleitoral da história do país, depois dos 29 anos que o povo brasileiro ficou sem votar para presidente por causa do golpe de 1964 e do seu resultado, a ditadura-civil-militar.

Hoje o nosso povo está sofrendo, a fome voltou a rondar os lares e muitos nem tem mais um lar, estão vivendo nas ruas, tornaram-se mendigos junto com os filhos. Milhões de trabalhadores desistiram de procurar emprego porque não há. Milhões foram excluídos do Bolsa Família. As universidades e os hospitais vivem a sua maior crise. Hoje nosso país está sendo vendido. A nossa Petrobras, o nosso pré-sal, a Eletrobrás, os bancos públicos, todos na fila para serem entregues a preço de banana aos grandes grupos estrangeiros como já fizeram com a Embraer. Hoje, a nossa democracia está ameaçada“, disse Lula em seu discurso no lançamento da sua candidatura.

Este, porém, é o trecho do discurso de Lula do lançamento da sua candidatura em 2018, feita no dia 4 de agosto daquele ano. Ou melhor: lido.

Este discurso foi lido num palco pelo ator Sergio Mamberti e, noves fora a temeridade de se lançar um candidato que, claro estava, seria impedido de concorrer, o diagnóstico está hoje agravado por quatro anos de desgoverno fascista, antipovo e vende pátria, resultado da ópera com o Supremo, com tudo, da qual o golpe de 2016 foi o ato inicial.

Semanas depois, Sergio Mamberti leria em outro evento do PT outra carta escrita por Lula na prisão, esta para oficializar Fernando Haddad como seu substituto na cabeça de chapa do partido, após a Justiça Eleitoral oficializar, por seu turno, o que todos já sabiam que iria acontecer. Faltava menos de um mês para as eleições.

Sergio Mamberti morreu em setembro do ano passado, num hospital da Prevent Senior, de infecção pulmonar. Sua ausência no evento de lançamento da candidatura Lula, e neste mundo, é o símbolo da criminosa sustação, quatro anos atrás, da oportunidade que este país tinha em mãos para restaurar um mínimo de Democracia.

Agora, se o campo democrático conseguir derrotar o golpismo bolsofascista, a Democracia terá alguma chance outra vez. Para fazê-la vingar, é necessário que a amplitude da frente Juntos Pelo Brasil, que conta com outros campos – com o Alckmin, com tudo -, não signifique uma espécie de nova anistia, sob pena tudo se repetir no dobrar da esquina da História e, pior, sem nenhum jingle pronto para embalar mais uma penosa tentativa de recomeço.

Eles têm que pagar.

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