Se a Vaza Jato do Intercept Brasil deixou Sergio Moro e Deltan Dallagnol bem nus ao revelar mensagens de Telegram da República de Curitiba, agora as mensagens de WhatsApp do “clã” reveladas por O Globo e pela Folha de S.Paulo nos últimos dias – a Vaza Verme – podem levar à cassação do mandato do deputado Eduardo Bolsonaro, e podem levar Eduardo à prisão.

Poderiam, na verdade, fosse o Brasil de verdade uma República, e não um país em que o próprio Moro, notório criminoso, negocia agora mesmo qual será seu papel na “terceira via” para a disputa da eleição presidencial de 2022.

A Folha publicou nesta sexta-feira, 1º de outubro, mensagens de Whatsapp que mostram Eduardo Bolsonaro, que é ex-policial federal, oferecendo-se para intervir em procedimentos de emissão de passaportes pela PF a fim de apressar os trâmites para que o dono do site de noticias falsas Terça Livre, Allan dos Santos, investigado em dois inquéritos no STF, pudesse fugir do Brasil com sua família, como afinal aconteceu.

Em 2015, o então líder do governo Dilma no Senado, Delcídio Amaral, foi preso pela Polícia Federal por obstrução de Justiça logo após ser gravado sugerindo ao filho de Nestor Cerveró que o ex-diretor da Petrobras, preso pela Lava Jato, fugisse do Brasil pelo Paraguai, tomando um Falcon 50 para a Espanha, caso Cerveró conseguisse sair da prisão, o que nunca aconteceu. Em 2016, Delcídio teve o mandato cassado por quebra de decoro.

Quanto à flagrante obstrução de Justiça por parte de Eduardo Bolsonaro, as mensagens, interceptadas pela Polícia Federal, são de junho de 2020, mais de um ano atrás. No mês seguinte, em julho, Allan dos Santos se pirulitou para os EUA. Na época, havia restrição para pessoas oriundas do Brasil entrarem em território estadunidense, por causa da pandemia. Suspeita-se que Allan dos Santos, cônsul-geral da mamadeira de piroca, tenha viajado com passaporte diplomático.

Compartilhadas agora com a CPI da Pandemia, as mensagens entre Eduardo Bolsonaro e Allan dos Santos constam no inquérito das fake news, tocado por Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal. Eduardo Bolsonaro, por seu turno, e pelo visto, não pode ser tocado por Alexandre de Moraes.

Eduardo Bolsonaro exibe caneca “Gabinete do Ódio – Milícia Digital” (Foto: Reprodução/Twitter).

Dois anos após a Vaza Jato confirmar, documentar o que já se sabia sobre a Lava Jato – que a operação foi na verdade uma conspiração -, agora a Vaza Verme traz informações adicionais ao que já está há tempos confirmado, fartamente documentado; àquilo que todo mundo já está Alexandre de Moraes de saber: que a família Bolsonaro é nada menos que uma organização criminosa.

Mas é como costuma dizer o verme pai: “e daí?”.

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