Marcelo Queiroga (Foto: Walterson Rosa/MS).

Desde que assumiu o ministério da Saúde, Marcelo Queiroga se esmerou para superar seu antecessor imediato, Eduardo Pazuello, em matéria de colaboração com o vírus SarS-Cov-2 e com o outro agente infeccioso responsável pelas mortes de mais de 660 mil brasileiros – aquele para quem a pandemia nunca foi uma emergência a ser um dia debelada, mas “gripezinha”.

Tudo o que os dois organismos acelulares mandaram e demandaram ao longo da pandemia, os dois ministros da Doença obedeceram.

Médico, Marcelo Queiroga alimentou a loucura bolsonarista de fazer uma auditoria de cadáveres para ver se tinham mesmo morrido de covid; deu azo à irresponsabilidade cloroquínica; embarcou na estratégia bolsonarista de culpar governadores pelos montes de cadáveres e famintos; colaborou com a divulgação de dados pessoais de médicos favoráveis à vacinação infantil; boicotou mesmo a vacinação infantil, com requintes de terror psicológico dirigido a pais e responsáveis; obstruiu o trabalho da CPI da Covid-19.

Etc, etc, etc.

No relatório final da CPI, Queiroga foi indiciado por prevaricação e “epidemia com resultado com morte”.

Foi com a credibilidade, portanto, de um prevaricador e com a autoridade do “resultado morte” de sua atuação como ministro que Marcelo Queiroga apareceu em rede nacional no domingo de Páscoa para anunciar o fim da emergência sanitária da covid-19 no Brasil.

Marcelinho Queiroga, o que trazes pra mim?

Ora, o de sempre: mais uma medida na contramão da ciência e da prudência, do que recomenda a OMS, e no passo apressado para deixar a memória do genocídio para trás. Em novembro de 2021, Queiroga, aos risos, tripudiou, dizendo que ia junto com seu chefe “passear lá em Haia”.

Uma semana cheia

Recentemente, Marcelo Queiroga tripudiou novamente: referiu-se à “Capitã Cloroquina” Mayra Pinheiro, indiciada na CPI por crime contra a humanidade, como “Capitã Saúde”. Mayra é candidata à Câmara dos Deputados pelo PL de Jair Bolsonaro. Ao mesmo cargo e pelo mesmo partido concorrerá o filho de Queiroga, Antônio Cristóvão Neto, de 22 anos, vulgo Queiroguinha.

E Marcelo Queiroga continua tripudiando: na semana que passou, foi no dia seguinte a reuniões no Ministério da Saúde com outros dois indiciados na CPI, Carla Zambelli e Osmar Terra – os dois por incitação ao crime -, que Marcelo Queiroga falou pela primeira vez na possibilidade de decretar o fim da emergência sanitária.

Carla Zambelli e Osmar Terra foram precisamente os dois parlamentares que mais “engajaram”, ou seja, que mais tiveram êxito em espalhar desinformação sobre a pandemia, segundo o levantamento de uma agência de fact-checking.

Imputáveis

Quem também riu-se todo e zombou, e nesta segunda-feira, 18, foi Hamilton Mourão. Perguntado sobre as possíveis investigações, os possíveis desdobramentos de novos documentos sobre torturas na Ditadura, o vice-presidente disse que “os caras já morreram tudo, pô. Vai trazer os caras do túmulo de volta?”.

Curioso: o próprio Mourão, adorador de torturadores, parecia bem vivo nesta segunda de manhã. Queiroga, adorador de genocida, também.

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