Como Sergio Moro, o oligopólio da mídia que opera no Brasil também “não desistiu de nada”.

No caso da mídia, de tentar nivelar, equiparar, igualar uma candidatura presidencial estribada em mais de uma década de governo democrático, de um lado, ao mais exposto, escancarado, reiterado fascista, do outro.

O Estadão deste domingo, 3, abre a temporada dos mais irresponsáveis editoriais com que a imprensa corporativa dá o tom do noticiário eleitoral, tenta dar o tom dos arranjos políticos – ora servindo de cimentcola para a “terceira via” – e atua como partido político ultrarreacionário especialmente nas vésperas eleitorais, quando sentem o cheiro que mais odeiam – o do campo popular.

Em editorial intitulado “Catástrofe contratada”, que parece mesmo a transcrição de um pronunciamento de seis minutos de Sergio Moro, o Estadão retoma a caraminhola do “tanto um quanto outro”.

Ecoando outro famoso editorial da casa, “Uma escolha muito difícil” (publicado em 2018 e que equiparava Fernando Haddad a Bolsonaro), o jornal se refere agora a Lula e Bolsonaro – aos dois, um equivalente ao outro – como “forças do atraso”, “hábeis em açular seus apoiadores mais radicais e poluir o debate público com mentiras e distorções da realidade”.

“Dois mitômanos”, decreta o Estadão.

Pelo visto, nem um genocídio no meio do caminho foi capaz de demover a imprensa corporativa de reincidir na empreitada.

O jornal chega mesmo a ligar “tanto um quanto outro” à insegurança alimentar no Brasil.

Para o Estadão, que tem uma agência de “checagem de fatos e desmonte de boatos”, parece ser irrelevante que o governo Lula tenha tirado o Brasil do Mapa da Fome e que o país tenha voltado ao Mapa da Fome após o golpe apoiado pelo jornal em 2016, sendo hoje, no governo Bolsonaro, insuficiente a comida em casa para um quarto da população.

O jornal liga também “tanto um quanto outro” ao “cenário de terra arrasada” na educação.

Assim, olimpicamente, como se o Estadão não tivesse consignado na mesma página de editoriais, há quatro anos, ser “muito difícil” escolher entre um ex-ministro da Educação que conduziu um amplo processo de inclusão educacional e um fã de torturador cujo programa de governo para a área se resumia a militarizar escolas e reabilitar o currículo escolar da ditadura.

O ponto alto do editorial deste domingo do Estadão, porém, é quando o jornal acusa não “tanto um quanto outro”, mas acusa Lula de tentar “reescrever a História”.

Isto três dias após o governo de Jair Bolsonaro, pela mão do seu provável vice na chapa da reeleição, mandar ler em todas as unidades militares do país uma ordem do dia dizendo que o golpe de 1964 foi “um marco histórico da evolução política brasileira”.

Com uma imprensa “séria” dessa, quem precisa de Allans, Eustáquios e Lacombes?

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