Chama-se Eduardo Bittar, é líder de uma organização radical da Venezuela e nesta quarta-feira, 15, divulgou um vídeo em que aparece numa “reunião de trabalho” no gabinete do deputado federal Eduardo Bolsonaro. No vídeo, Eduardo promete apoio a “tudo o que ele tentar” contra o governo de Nicolás Maduro.

Eduardo Bittar é coordenador-geral da organização de extrema-direita Rumo Liberdade, que considera Juan Guaidó um “agente do regime” de Maduro, que classifica Guaidó como de centro-esquerda e que defende uma intervenção militar na Venezuela.

No Twitter, Bittar publicou também fotos do que chamou de “histórica reunião” com Eduardo Bolsonaro e escreveu que “no final desta reunião gravamos um vídeo juntos onde ele [Eduardo] envia uma mensagem clara a todos os venezuelanos”.

“Imaginamos o quão duro seja viver numa narco-ditadura como a de Maduro. A boa notícia é que tem pessoas como Eduardo Bittar e Rumo Liberdade que estão aqui e em toda parte, dia e noite planejando, pensando como fazer para reverter essa situação. Então o que posso dizer é que contem conosco. Tenho aqui Eduardo Bittar, uma amigo, um aliado, e com certeza vou apoia-lo no que ele tentar para resgatar não só a democracia, bem como a liberdade, porque já não tem mais nada na Venezuela”, disse Eduardo, no vídeo, gastando o castelhano.

“Democracia” e “liberdade” – assim mesmo, entre aspas – foram os motes das manifestações golpistas do último 7 de setembro no Brasil, das quais Eduardo Bolsonaro foi a principal liderança, depois do seu pai.

“Vou apoiá-lo no que ele tentar”, disse o 03 ao Bittar da Venezuela, e a recíproca é verdadeira.

Alexandre de Moraes? Hijo de puta

O vídeo em que Eduardo Bolsonaro diz que irá apoiar tudo o que a extrema-direita tentar na Venezuela foi publicado também na plataforma Gettr, a “rede social de Trump”.

No 7 de setembro golpista, Eduardo Bolsonaro apresentou Eduardo Bittar a Jason Miller, fundador da Gettr, ex-porta-voz de Donald Trump e colaborador de Steve Bannon. Eduardo Bolsonaro é “embaixador” na América do Sul da associação internacional de extrema-direita The Movement, liderada por Bannon.

Jason Miller foi detido em Brasília no dia 7, por determinação de Alexandre de Moraes, para explicar sua participação em atos antidemocráticos no Brasil. Eduardo Bittar também participou ativamente do 7 de setembro bolsofascista, “contra o Supremo Tribunal Federal e contra o comunismo”. Alexandre de Moraes foi referido pelo conspirador venezuelano como hijo de puta:

Eduardo Bittar tem intimidade com a família Bolsonaro:

E recita em seu idioma o slogan do bolsofascismo:

Em 2018, Eduardo Bolsonaro acompanhou a apuração dos votos ladeado pelo seu xará:

‘O mesmo inimigo de Plínio Salgado’

Se Eduardo Bittar ajudou a agitar as coisas em Brasília no 7 de setembro, outra figura conhecida da extrema-direita venezuelana, Roderick Navarro, subiu mesmo no carro de som bolsonarista, no mesmo dia, à tarde, na Avenida Paulista. De microfone em punho, tentou levantar a plateia: “vocês vão se deixar calar pelo comunismo?”.

Dois dias após as manifestações bolsofascistas do 7 de setembro, Roderick Navarro apareceu numa live com o presidente da Frente Integralista Brasileira, Moisés Lima. Pendurada ao fundo, a foto de Plinio Salgado.

“Eu o conheci no PTB. Começamos a conversar e o Roderick se mostrou muito entusiasmado com a visão integralista para a América Latina”, disse Moisés Lima.

“O inimigo da nossa era é o comunismo. O mesmo inimigo de Plínio Salgado”, disse Roderick Navarro.

No início da live, o neogalinha-verde saudou assim a audiência: “anauê”.

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