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Uma das maiores instituições privadas de ensino do Brasil, a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), irá fechar ainda em 2022 seu Programa de Pós-Graduação em História, que será extinto após 35 anos de existência. As demissões do corpo docente já começaram.

Nesta quinta-feira, 21, o Grupo de Trabalho Nacional Emancipações e Pós-abolição divulgou uma carta aberta de solidariedade aos professores Paulo Roberto Staudt Moreira, autor de paradigmáticos estudos sobre a escravidão, as emancipações e o pós-Abolição, e Eliane Cristina Deckmann Fleck, referência em história indígena.

Em setembro do ano passado a Unisinos abriu uma turma de pós-graduação em “Engenharia e Sistemas de Produção Taurus” – a Taurus Armas, maior fabricante de pistolas do mundo, cuja sede fica na cidade gaúcha de São Leopoldo, onde está baseada também a Unisinos.

Na época, coube à própria Taurus dar detalhes:

“O curso simulará em sala de aula demandas reais dos profissionais da companhia. Cada participante será estimulado a desenvolver um projeto de melhoria contínua em produtos ou processos, sob supervisão dos gestores da Taurus. O programa possuía vagas limitadas e o processo seletivo foi interno – exclusivo a colaboradores Taurus que possuem curso superior completo e estão, no mínimo, há dois anos na empresa”.

Para que referências nacionais em estudos sobre escravidão e povos originários, se temos gestores da Taurus Armas simulando em sala de aula demandas gerais da companhia?

O padre e The Judge

Em 2015, um “berro” da Taurus foi tema de uma dissertação de mestrado defendida na Unisinos, que é uma instituição jesuíta, mantida pela Associação Antônio Vieira. O título da dissertação até que lembra aquele de um dos mais famosos sermões do Padre Antonio Vieira, o “Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda”.

O título da dissertação é “A inovação como recurso na internacionalização de empresas brasileiras: o caso do revólver The Judge no mercado norte-americano”, e o trabalho teve por objetivo avaliar “como a inovação de produto foi empregada como recurso estratégico” no Bom Sucesso internacional da Taurus Armas.

‘Setores portadores de futuro’

No início de julho de 2021, um mês antes de assinar com a Unisinos, a Taurus havia anunciado um convênio com outra importante universidade privada do RS, a Universidade de Caxias do Sul (UCS), para pesquisa e desenvolvimento de armas com grafeno, material à base de carbono considerado um dos mais leves e resistentes que existem.

A parceria, segundo a Taurus, permitiria a rápida realização de testes e desenvolvimento de protótipos de armas através da UCSGRAPHENE, que faz parte do Parque de Ciência, Tecnologia e Inovação da Universidade de Caxias do Sul.

O site do UCSGRAPHENE dá conta de que:

“O UCSGRAPHENE é a primeira e maior planta de produção de grafeno em escala industrial da América Latina instalada por uma universidade. Em operação desde março de 2020, reúne a expertise da Universidade de Caxias do Sul conquistada em 15 anos de pesquisa avançada em nanomateriais, gerando grafeno de alta qualidade para a prestação de serviços tecnológicos inovadores a setores portadores de futuro”.

‘Os consumidores estão empolgados’

Também em julho do ano passado, um dia antes do anúncio do convênio Taurus-USC, Jair Bolsonaro foi recebido na 1ª Feira Brasileira do Grafeno, em Caxias do Sul, pelo CEO da Taurus, Salesio Nuhs, e pelo reitor da USC, Evaldo Antonio Kuiava. Na ocasião, Nuhs deu um revólver calibre 38 de presente ao 38º presidente da República: “esse aqui é seu, presidente trezoitão”.

Na feira, Nuhs entregou ainda a Bolsonaro uma espécie de troféu com o modelo de pistola de grafeno que, segundo o chefe da Taurus, seria uma “revolução” no mercado de armas de fogo – o pujante mercado de armas de fogo criado no Brasil por Jair Bolsonaro.

Pois semanas atrás, no último 8 de julho, a Taurus lançou no mercado o revólver GX4 Graphene, o primeiro do mundo feito com grafeno. Foi uma festa entre os CACs. “Os consumidores estão empolgados”, empolgou-se a Taurus.

É que, na maioria das lojas, em 48 horas esgotaram-se os estoques.

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