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Mal havia secado a tinta da sua nota de “recuo”, redigida com Michel Temer a quatro mãos – aquelas mãozinhas nervosas -, e Jair Bolsonaro sapateou novamente nas fuças de quem se dispõe a tentar adestrar a besta-fera, dizendo a seus apoiadores para secarem as lágrimas com a bandeira nacional: “deixa acalmar”.

Ato contínuo, as linhas de frente do bolsonarismo entraram em campo para “explicar” o motivo de Bolsonaro, após passar meses insuflando atos antidesportivos, ou melhor, antidemocráticos, ter se apresentado nesta quinta-feira, 9, aparentemente para jogar “dentro das quatro linhas”.

E não há nada de novo no front da Wehrmacht: grande mártir que o Messias é, ele mais uma vez, em nome dos “mais pobres”, do dólar e da bolsa, sacrifica-se no altar das grandes injustiças de que é vítima. Mas apenas por um átimo. O führer, que não falha, “jogou certinho”, como disse o deputador bolsonarista Vitor Hugo:

O recuo e a récua

Mas parece que não será tão fácil, depois da “fraquejada”, manter a narrativa. Um “oficial R2 do Exército Brasileiro” respondeu assim:

“Ele vai me pedir para retirar a bandeira da minha casa? Ele arregou porque iam prender um dos seus filhos. Agora quero que ele venha reatar as amizades que perdi por defender suas posições”.

Um outro “conservador” reclamou também:

“Mas jogou enganando o povo. Esse detalhe que não dá para aceitar. Bolsonaro foi muito emocionado em seus discursos e criou falsas expectativas. Isso eu não apoio”.

Depois dos atos antidemocráticos, vêm aí os atos antidepressivos.

Quem estica a corda?

Carla Zambelli, após a nota de “recuo”, e na tribuna da Câmara – onde se sente “mais segura” -, classificou Bolsonaro com um “grande estadista” em busca da paz com quem não para de “esticar a corda”, e disse que o que parece o fim é só o começo:

“Essa nota não encerra nada. Ela começa. Ela começa um pedido para que o Supremo comece a entender que existe uma Constituição que precisa ser respeitada. Que pede para que o Supremo Tribunal Federal na pessoa do senhor Alexandre de Moraes, pare de esticar esta corda e perceba que quem nunca quis ruptura foi o presidente da República Jair Messias Bolsonaro”.

Ah, as frustrações…

Na mesma linha foi Augusto Nunes:

“Deem um tempo pro presidente, e daqui a algum tempo vocês vão ver que este homem tem visão de futuro, tem estratégia”.

E Marcos Rogério, que no 7 de setembro sobrevoou de helicóptero o ato golpista de Brasília, junto com Bolsonaro:

“As frustrações do presidente em seu projeto de implementar profundas transformações na política brasileira são compartilhadas por muitos de nós. Talvez hoje sua declaração não seja interpretada da melhor maneira. Seu gesto, contudo, é mais uma demonstração de sacrifício pessoal para que nossa República siga nos trilhos da constitucionalidade”.

As frustrações. Ah, as frustrações… É sempre nelas que o fascismo se agarra. É nelas que o fascismo continuará se agarrando, causando destruição, se não for agarrado de uma vez pelo pescoço por quem tem competência para tanto.

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