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Darcy Ribeiro anda comigo, bem juntinho, desde que li “O Povo Brasileiro”, em 1999. Logo em seguida, na virada do século, eu e minha família começamos a frequentar o restaurante português Seu Antonio, na minha Niterói. O restaurante é um velho reduto pedetista, do velho PDT, que ostenta logo na entrada uma foto de Leonel Brizola erguendo uma tulipa de chope em um alegre brinde – a ele, o povo brasileiro.

O ambiente do restaurante é repleto de referências ao meu companheiro de estrada: um grande painel alusivo a Maíra, romance de Darcy; uma cadeira muito simples, do tipo escolar, que pertenceu ao professor Darcy, fica lá pendurada no teto; uma linda e enorme foto do professor Darcy, com iluminação especial, ocupa toda a parede na qual fica encostada a última mesa do restaurante – a minha favorita.

Esta é a minha foto mais recente lá, na minha mesa favorita, com minha criatura favorita neste mundo:

Têm sido poucas, mas, até hoje, toda santa vez que atravesso o portão do Seu Antonio, passo pelo brinde do Brizola e deparo com a foto do Darcy Ribeiro, lembro imediatamente de um trechinho do prefácio a “O Povo Brasileiro” escrito por Darcy em 1995, ano de lançamento do livro e dois anos antes de sua morte.

É quando Darcy conta o porquê de não ter terminado o livro quando ainda estava no exílio. São três pequeninos parágrafos, mas que me fizeram abandonar o curso de Direito na UFRJ, no qual eu tinha acabado de ingressar, empurraram-me para o curso de Jornalismo na UFF e irão me acompanhar para sempre.

Nesta quarta-feira, 26, dia do centenário do professor Darcy, compartilho-os com os leitores do Come Ananás que porventura não os conheçam. Que sirvam de inspiração para você também nestes dias de trovão, decisivos na luta por um Brasil decente:

“Desencadeou-se sobre mim o vendaval da vida. Um câncer me comia um pulmão inteiro e tive de retirá-lo. Para tanto, retornei ao Brasil, reativando as candentes luzes políticas que dormiam em mim nos anos do exílio. Tudo isso e, mais que tudo, uma compulsiva pulsão romanesca que me deu, irresistível, assim que me soube mortal e que, desde então, me escraviza, afastando-me da tarefa que me propunha”.

“Agora, uma nova pulsão, mortal, reaviva a necessidade de publicar esse livro que, além de um texto antropológico explicativo, é, e quer ser, um gesto meu na nova luta por um Brasil decente”.

“Portanto, não se iluda comigo, leitor. Além de antropólogo, sou homem de fé e de partido. Faço política e faço ciência movido por razões éticas e por um fundo patriotismo. Não procure, aqui, análises isentas. Este é um livro que quer ser participante, que aspira a influir sobre as pessoas, que aspira a ajudar o Brasil a encontrar-se a si mesmo”.

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