José Múcio Monteiro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).

“O futuro presidente da República será um civil de quatro estrelas ou um general de paletó-saco”, escreveu Carlos Drummond de Andrade no Jornal do Brasil no dia 31 de julho de 1982.

Quarenta anos depois, o vaticínio de Drummond cai como uma luva de Emiliano Martínez não para referência ao próximo presidente da República, mas seguramente para caracterizar o futuro ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.

O anúncio do nome do futuro ministro da Defesa, feito pela equipe de transição no dia em que o Brasil foi derrotado nos pênaltis pela Croácia, teve peso idêntico, se nao maior, ao anúncio dos nomes dos futuros ministros da Fazenda e da Casa Civil.

Não seria mesmo para menos: após os últimos quatro anos, até as emas do Alvorada sabem das necessidades de efetiva subordinação das Forças Armadas ao poder civil; de imediato abortamento do projeto de poder dos militares, da sua ideia autorreferente de “poder moderador”; de imputação de uma pá de generais de Exército, almirantes de esquadra e tententes-brigadeiros do ar por crimes de lesa-pátria e lesa-humanidade – pelo menos os mais recentes.

A escolha de José Múcio Monteiro para a Defesa, porém, sinaliza o contrário, ou seja, uma anistia 2.0, no governo Lula 3. Entre o difícil, indigesto, mas necessário enfrentamento da questão militar ou a varrição da questão militar para debaixo do tapete, optou-se… Bem, optou-se por José Múcio Monteiro, civil quatro estrelas nomeado, a rigor, de dentro do Forte Apache.

Neste sábado, 17, véspera da final da Copa do Mundo, José Múcio Milicos Monteiro disse o seguinte à CNN Brasil:

“Ele [Jair Bolsonaro] é um democrata. Conheço o presidente desde o período na Câmara dos Deputados. Ele é um líder e tenho certeza de que ele vai colaborar. É importante dizer que ele é um líder de uma parcela significativa da população”.

Neste domingo, 18, a Copa do Catar acabou. “Foi-se a Copa” é o nome de um poema de Drummond publicado no mesmo JB no dia 24 de junho de 1978, véspera da final da Copa de 1978 na Argentina sob ditadura. No poema, tem uns versos que dizem assim:

Deixaremos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.

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