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Ou o Ministério das Relações Exteriores, via Embaixada do Brasil em Londres, ou a Polícia Federal do Brasil: uma dessas duas instituições desta República em frangalhos mente deslavadamente.

A Embaixada do Brasil em Londres informou a família do jornalista britânico Dom Philips que dois corpos haviam sido encontrados no fim de semana na área das buscas por Dom e Bruno Araújo Pereira, no vale da sombra da morte em que Jair Bolsonaro e seus milicos amestrados transformaram o Vale do Javari.

A Polícia Federal, por seu turno, desmente a embaixada. Nisto, a embaixada diz que não irá comentar. E ponto?

A notícia sobre os corpos encontrados foi dada à família de Dom por um diplomata chamado Roberto Doring Pinho da Silva, um ex-assessor especial da presidência da República no final do governo Michel Temer.

Com a contradição na praça, criada por um telefonema seu, Doring não atende jornalistas. Vá lá. Que o diplomata até agora não tenha sido formalmente instado pelo Congresso a dar explicações, é um escândalo – mais um.

Nesta toada, não demora e o governo garimpo-miliciano proclama sigilo de 100 anos sobre as buscas aos corpos de Bruno Araújo Pereira e Dom Phillips, institucionalizando a ocultação de cadáver.

Repetindo: alguém mente. Ou mentem todos. E mentem como no poema “A implosão da mentira”, de Affonso Romano de Sant’anna, sobre o caso Riocentro:

Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.

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