Jair Bolsonaro assinou a Medida Provisória 1.068/21, que altera o marco civil da internet, horas após se reunir com Jason Miller, um ex-porta-voz de Donald Trump e colaborador de Steve Bannon que é também o fundador da rede social “conservadora” Gettr.

A MP 1.068/21, publicada nesta segunda-feira, 6, e francamente inconstitucional, dificulta o controle de notícias falsas e publicações antidemocráticas nas redes sociais.

A Gettr, plataforma que “rejeita a censura política”, foi lançada no último 4 de julho, dia de outra independência, a dos EUA. Na ocasião, Flavio Bolsonaro fez saber aos seus seguidores que já tinha criado uma conta na “nova rede social de Trump“.

Jason Miller veio ao Brasil para participar da versão brasileira, organizada por Eduardo Bolsonaro, do evento trumpista Cpac. No último domingo, 5, Miller se reuniu com Bolsonaro e Eduardo no Palácio do Alvorada. O tema da reunião foi “liberdade de expressão”.

Os apoiadores de Jair Bolsonaro estão chamando a Medida Provisória 1.068/21 de “MP da Liberdade de Expressão”.

Na noite desta segunda-feira, 6, Jason Miller foi o convidado de Steve Bannon numa live do “War Room”, site de Bannon. A live foi sobre o Brasil, sobre Bolsonaro, sobre as “oligarquias das redes sociais” e sobre “nossos esforços para levar a liberdade de expressão ao mundo”.

Outra versão brasileira

Falando de Brasília, Miller relatou a Bannon que conversou com um parlamentar brasileiro sobre a preparação de uma versão brasileira da Primeira Emenda da Constituição Americana, que trata de liberdade de expressão.

Há dois anos, Ernesto Araújo alinhavou com Steve Bannon um discurso de Jair Bolsonaro na ONU.

No Gettr, Jason Miller destacou que neste 7 de setembro a “rede social de Trump” está com as cores verde e amarelo: “Happy Independence Day to our friends in Brazil!”.

ATUALIZAÇÂO (13:50h)

No momento em que Come Ananás publicava, na manhã deste 7 de setembro, esta matéria sobre Jason Miller e a edição da MP que altera o marco civil da internet, Miller, ex-porta-voz de Trump, era detido no aeroporto de Brasília por determinação de Alexandre de Moraes.

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