Com Jair Bolsonaro chorando em público o copo de leite nazista derramado, com Eduardo Bolsonaro trocando os patriotas pelos jogos patrióticos – a Copa do Mundo – e com a divisão paralisante entre golpistas renitentes e golpistas reticentes nos comandos das Forças, resta ao bolsogolpismo um punhado de trapaças mal alinhavadas para tentar manter vivo o sonho do Capitólio próprio.

O UOL informa nesta quarta-feira, 7, sobre um exemplo crasso:

“Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) têm divulgado um canal de comunicação do Exército como se fosse um alistamento de civis contra o resultado das eleições. Mensagens que circulam nas redes convidam a população a se cadastrar em uma lista de emails que os militares usam, na verdade, apenas para enviar um boletim semanal, voltado a reservistas”.

E que:

“O Exército criou a página ‘Reserva pró-ativa’, em 2015, para receber inscrições de interessados em receber o informativo, chamado de ‘O Veterano’. Mas políticos e influenciadores bolsonaristas estão promovendo o site como um ‘cadastramento para civis’, incitando CACs [caçadores, atiradores esportivos e colecionadores] a se inscrever”.

Maior liderança armamentista do Brasil, o deputado federal bolsonarista eleito Marcos Pollon (PL-MS) se fez ciente de suas novas responsabilidades e se adiantou para esclarecer seus milhares de seguidores CACs sobre a “confusão”?

Não.

Marcos Pollon correu foi para se inscrever na “reserva pró-ativa”, e bradando para seus milhares de seguidores CACs a palavra de ordem “ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil”.

Por mais que o próprio Exército já tenha alertado sobre “convocações equivocadas para cadastramento online no portal” da Força, o deputado eleito insiste em se fazer olimpicamente de desentendido:

“Recebi uma orientação para me inscrever como forma de demonstração de apoio, por isso me inscrevi! Já me informaram q isso sempre existiu, eu na realidade não conhecia. Não tenho nenhuma informação além disso! Estou apenas reiterando meu amor ao Brasil e fidelidade ao Presidente! O que será do futuro? Ninguém sabe”.

As definições de joão-sem-braço, posto que atirador, foram atualizadas.

Porém, por mais que o próprio Exército se ponha a alertar para “convocações equivocadas”, a página de confirmação da inscrição no boletim verde-oliva mostra um desenho de um soldado, ou ex-soldado, metade fardado e metade vestido, só por uma coincidência, com o uniforme das manifestações golpistas que acontecem há mais de um mês na frente de quartéis.

As definições de joão-sem-braço foram duplamente atualizadas.

Em tempo: a expressão “joão-sem-braço” tem origem em pedintes que amarravam um dos braços sob a roupa, fingindo-se de patriotas mutilados na guerra.

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