Na última segunda-feira, 8, o coronel do Exército Ricardo Sant’ana foi descredenciado pelo TSE da “fiscalização” dos códigos-fonte do sistema brasileiro de votação. O motivo: Sant’ana foi pego pela imprensa exaltando Jair Bolsonaro e mentindo sobre o PT e as urnas eletrônicas no Facebook.

fortes rastros, porém, de que o caso do coronel Sant’ana não é uma indicação isolada de que os membros da Equipe das Forças Armadas de Fiscalização do Sistema Eletrônico de Votação (EFASEV) foram escolhidos não apesar de suas posições políticas, mas por causa delas, além da razão de suas qualificações profissionais em ciência da computação.

Outro critério do Ministério da Defesa, responsável pela criação da equipe, parece ser o envolvimento equitativo das três Forças Armadas na escalada de Jair Bolsonaro e do Ministério da Defesa pelo “descredenciamento”, por assim dizer, do próprio processo eleitoral de 2022.

A reação irritada do comando do Exército à expulsão do coronel Sant’ana do TSE e a receptividade que as suspeitas lançadas contra as urnas encontram no comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, indicam que esta escalada se desenvolve acelerada não apesar dos comandos das Forças, mas em sintonia com eles – as Forças e o Ministério da Defesa, estes sim, harmônicos entre si.

Dezoito homens e um segredo

Afora o chefe da EFASEV, coronel do Exército Marcelo Nogueira de Sousa, os outros nove militares designados pela Defesa no início de agosto para compor o grupo foram pinçados de maneira igualitária das três forças singulares: três do Exército, três da Marinha, três da Aeronáutica.

Observa-se algo idêntico no ofício enviado na última quarta-feira, 10, pelo ministro da Defesa, Paulo Sergio Nogueira de Oliveira, a Edson Fachin, no qual o general solicita o credenciamento de mais nove militares para acesso à sala de “fiscalização” das urnas eletrônicas no TSE: três da Força Aérea, três da Força Naval, três da Força Terrestre.

Come Ananás identificou dois perfis apagados do Facebook cujos donos correspondiam aos nomes completos de dois dos nove militares relacionados no ofício da última quarta.

Além disso, o inacreditável pedido feito pelos militares de acesso a dados de votação das eleições de 2014 e 2018, negado pelo TSE, foi assinado por um representante de cada Força, além de ratificado pelo chefe da EFASEV, o coronel Marcelo Sousa, que, em meados de julho, em pleno Senado da República, disse que “é possível que um código malicioso tenha sido inserido na urna e fique lá latente esperando algum tipo de acionamento”.

Operação Melar

Os pleitos de 2014 e 2018 são justa e precisamente as eleições passadas que Jair Bolsonaro diz terem sido fraudadas. Além disso, os militares queriam acesso a arquivos de log do banco de dados de totalização, arquivos de imagens dos boletins de urna, arquivos de registro digital de voto, entre outros “subsídios técnicos” relativos aos pleitos de 2014 e 2018, com o objetivo de se prepararem para uma eventual apuração paralela à oficial nas eleições de 2022.

O coronel Ricardo Sant’ana, expulso pelo TSE da “fiscalização” das urnas, foi quem assinou como “representante do Exército Brasileiro” o pedido de acesso a esses dados. O capitão de fragata Marcus Rogers Cavalcante Andrade assinou como “representante da Marinha do Brasil”. O coronel aviador Wagner Oliveira da Silva subscreveu o documento como “representante da Força Aérea Brasileira”.

Sem motivo informado, o coronel Wagner Oliveira da Silva é, além do “descredenciado” coronel Sant’ana, o único membro original da EFASEV que não está participando da “fiscalização” dos códigos-fonte do sistema eletrônico brasileiro de votação, verdadeira operação militar contra a Democracia em curso na sede da Justiça Eleitoral.

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