Na sessão desta quarta-feira, 29, da CPI da Pandemia, o relator Renan Calheiros perguntou ao depoente, Luciano Hang, sobre qual seria o tipo de relação do empresário com a Belcher, a farmacêutica ligada Ricardo Barros que tentou intermediar a venda da vacina chinesa CanSino para o governo brasileiro por US$ 17,00 a dose, em um negócio – abortado – de mais de R$ 5 bilhões.

O Veio da Havan respondeu como o apóstolo Pedro antes de o galo cantar:

“Nenhum, nenhum, nenhum”.

Em seguida, Renan Calheiros perguntou a Luciano Hang sobre qual seria sua relação com o executivo-chefe da Belcher, Emanuel Catori, que também já depôs na CPI.

“Nenhuma”, disse Hang.

Nisso, seguiu-se o diálogo:

Renan Calheiros: vossa senhoria aproximou a Belcher do Ministério da Saúde e de outras instâncias do Governo Federal?

Luciano Hang: não.

Renan Calheiros: não aproximou?

Luciano Hang: não.

Renan Calheiros: qual é a sua participação no processo de importação e no pedido da autorização de uso no Brasil do imunizante da CanSino?

Luciano Hang: nada.

Pois bem.

O Sr. Alan Eccel

No último 13 de abril, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Moreira da Cruz, reuniu-se em seu gabinete com Alan Eccel e um “Manuel Cartori”. Sobre “Manuel Cartori”, está escrito errado na agenda oficial. Trata-se de Emanuel Catori, o executivo-chefe da Belcher. Já Alan Eccel é sobrinho de Luciano Hang e diretor de importação da Havan.

Dois dias depois, 15 de abril, o próprio ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reuniu-se com Catori e Ricardo Barros. Só o nome de Barros constava na agenda oficial de Queiroga, mas, pressionado pelo site Poder 360, Barros “declinou”, como diria Randolfe Rodrigues, que entre outros conduzidos por ele ao ministro naquele dia estava Emanuel Catori.

No dia 20 de maio, às 11:30h, Rodrigo Moreira da Cruz voltou a se reunir com Alan Eccel, desta vez sem a presença de Emanuel Catori, mas com a pauta “vacina da CanSino”.

No mesmo dia, à tarde, Rodrigo Moreira da Cruz se reuniu com Ricardo Barros, sem divulgação de pauta. Dois dias antes, em 18 de maio, a Belcher havia entrado na Anvisa com pedido de uso emergencial da vacina da CanSino.

Nesta quarta-feira, antes de rumar para o Senado da República, para depor na CPI da Pandemia, Luciano Hang reuniu-se no hotel em que estava hospedado com ninguém menos que Ricardo Barros. Às 6h15 da manhã.

Ainda dá tempo de prender Luciano Hang em flagrante por falso testemunho. As algemas, ele mesmo já comprou.

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