Boletim Come Ananás

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Pouco mais de três semanas após a África do Sul viver seu maior pico de casos de covid-19, parece que só agora – conforme o esperado, mas para “surpresa” dos apressados – o país vive os efeitos na contagem de mortos da onda de infecções pela Ômicron, a variante dita “branda” do vírus Sars-Cov-2 – mais ou menos como teria sido “ditabranda”, segundo certo jornal, a ditadura civil-militar no Brasil.

A variante Ômicron vem sendo chamada até de “boa notícia” por alguns dos que vemos todos os dias falando de covid na TV, e desta vez não se trata só de Jair Bolsonaro e sua camarilha de geno e infanticidas.

No início desta semana, este Come Ananás chamou atenção para as conclusões precipitadas sobre o impacto da disparada de infecções pela Ômicron no número de casos graves e mortes por covid. Como ensinaram as outras ondas da pandemia, um pico de contágios leva até três semanas para refletir em aumento significativo do número de mortes, seja pelo tempo que leva para as pessoas ficarem gravemente doentes, seja pelo delay burocrático entre uma morte e a inclusão dessa morte no sistema de contagem.

Pois na última quarta-feira, 12, a África do Sul registrou tanto a maior média móvel de mortes, 181, quanto o maior registro diário de vidas ceifadas pela covid, 181 também, desde meados de setembro do ano passado, quando o país ainda juntava os cadáveres da onda de infecções causada pela variante Delta entre julho e agosto. O pico de contágios da Ômicron no país foi no início da segunda quinzena de dezembro.

Empinada na curva de mortes por covid-19 na África do Sul, três semanas após o pico de casos da Ômicron.

Há dois dias, quando no Brasil Jair Bolsonaro chamava a Ômicron de “vírus vacinal”, a média móvel diária de novos casos de covid na África do Sul já era 43% menor do que duas semanas antes, mas a média de mortes disparava 265%. No último 29 de dezembro, dia em que o governo da África do Sul anunciou que o pico da Ômicron tinha ficado para trás, morreram 81 sul-africanos de covid e a média móvel diária de mortes causadas pela doença no pais era de 50.

Na África do Sul, país de 60 milhões de habitantes, apenas 28% da população está hoje – e estava menos no pico da Ômicron – com o ciclo vacinal completo. Mas, segundo o principal cientista de doenças infecciosas do país, Salim Abdool Karim, o fato de 70% dos sul-africanos terem sido infectados por outras variantes anteriormente pode ter gerado uma resposta imunológica coletiva mais robusta e tornado a onda da Ômicron muito específica na África do Sul.

Para comparação, o Brasil tem hoje, em pleno e rápido avanço da Ômicron, 69% da população com esquema vacinal completo e um em cada 10 brasileiros já teve infecção pelo Sars-CoV-2 reportada, por mais que seja imensa a subnotificação.

“Na África do Sul, as variantes, mesmo as altamente mutantes, ficarão muito rapidamente sem muitas pessoas para infectar”, disse Karim há poucos dias ao site The Hill.

De fato, quando se olha o gráfico, a onda de infecções pela Ômicron na África do Sul não alcançou um pico acentuadamente maior do que o que se viu nas ondas anteriores de covid no país. A pior média móvel de infecções na onda da Ômicron na África do Sul foi de 26 mil casos diários, registrada em 17 de dezembro. No pico da Delta, essa média chegou a 20 mil, não tão mais baixa assim.

Algo bem diferente vem acontecendo, por exemplo, nos EUA, onde a curva de casos da Ômicron, ainda subindo rumo ao pico, já é muito, mas muito mais acentuada do que a da África do Sul.

Curvas e picos de infecções pelo Sars-Cov-2 ao longo da pandemia na África do Sul (Fonte: New York Times).
Curvas e picos de infecções pelo Sars-Cov-2 ao longo da pandemia nos EUA (Fonte: New York Times).

Na anterior pior onda de infecções pelos Sars-Cov-2 nos EUA, no começo de 2021, a média móvel diária de novos casos registrados de covid bateu em 250 mil. Nesta quinta-feira, 13, essa média ultrapassou pela primeira vez a marca de 800 mil infectados todos os dias. A média móvel diária de mortes por covid nos EUA já se aproxima novamente de duas mil. Na última quarta-feira, o país registrou mais de 2.700 mortos pela doença.

Em outras palavras, parece que as vítimas em potencial que “faltaram” à Ômicron na África do Sul não vão faltar, não estão faltando à “variante branda” do Sars-Cov-2 nas terras ao norte do rio Grande.

O que está acontecendo hoje nos EUA é provavelmente o que está acontecendo no Brasil, ou está em vias de acontecer, conforme indicam a empinada já visível no número de mortos e a disparada das internações em UTIs. Mas não se sabe ao certo, por causa do apagão de dados do Ministério da Saúde. É que Jair Bolsonaro e Marcelo Queiroga, além de tudo, cometem à luz do dia o crime de ocultação de cadáveres.

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