Elias de Lima Oliveira, DJ e entregador do iFood, casado, pai de uma menina de um ano de idade, foi morto com um tiro na cabeça na tarde desta quarta-feira, 24, no Morro do Palácio, favela incrustada no bairro de classe média do Ingá, em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Elias foi morto durante mais um caso em que “policiais militares foram atacados enquanto faziam um patrulhamento”, como o caso que acabou em chacina na vizinha São Gonçalo no último fim de semana. Em São Gonçalo, houve, em linguagem miliciana, nove “CPFs foram cancelados”.

Elias de Lima Oliveira.

“Policiais militares foram atacados enquanto faziam um patrulhamento”: este ardil com que a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro vem burlando durante os últimos 14 meses a decisão do Supremo que restringiu operações policiais em favelas durante a pandemia, porque não podem parar as ações policiais no Rio e Região Metropolitana balizadas menos por política de segurança pública, seja ela qual for, e mais por interesses milicianos.

Por falar em milicianos, às vésperas do segundo turno das eleições 2018, o TRE do Rio de Janeiro determinou a retirada de uma faixa com a inscrição “Direito UFF Antifascista” da fachada do prédio da faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense, em Niterói. A juíza Maria Aparecida da Costa Barros entendeu que a faixa antifascista era propaganda eleitoral em prédio público.

O prédio da faculdade de Direito da UFF fica na esquina do acesso ao Morro do Palácio e a retirada da faixa foi feita pela Polícia Militar. Muito justo.

A polícia do Rio matou mais de 1.500 pessoas desde a decisão liminar do ministro Edson Fachin, que é de junho de 2020.

Após pedido de vista de Alexandre de Moraes, a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, a chamada ADPF das Favelas, que trata da letalidade policial no Rio, será finalmente julgada nesta quinta-feira, 25, no Palácio do Supremo, com o sangue de Elias de Lima Oliveira ainda fresco na calçada do acesso ao Morro do Palácio.

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