De barba, Sergio Davila, diretor de redação da Folha, rindo-se de piada de Jair Bolsonaro.

Apoie o Come Ananás

Fortaleça a imprensa democrática.

A Folha de S.Paulo publica nesta sexta-feira, 6, um duro editorial contra Jair Bolsonaro, que é chamado de “protótipo de ditador”, e contra Augusto Aras e Arthur Lira, apontados como cúmplices de Bolsonaro, “por ingenuidade ou interesse equivocado”, nas palavras do jornal.

Com quantos editoriais duros, porém, será possível remendar a catástrofe com a qual contribuíram outros tantos – editoriais, matérias, capas – gelatinosos diante do mais escancarado fascismo, redigidos no calor das utilidades circunstanciais encontradas em Bolsonaro pela Folha, não por ingenuidade, talvez por “interesse equivocado”, certamente sabendo muito bem o que fazia.

Está prestes o aniversário de um outro famoso editorial da Folha, publicado em 21 de agosto de 2020 e intitulado com o lacre irresponsável “Jair Rousseff”. Neste, a Folha chega a dizer que Bolsonaro, pobre diabo, teve “o azar de suceder à petista Dilma Rousseff”. O tema era teto de gastos. Para a Folha, pelo visto, teto de gastos é melhor que a Democracia, tipo Obina era melhor que o Eto’o.

O editorial “Jair Rousseff” é apenas um dos mais recentes episódios de uma longa história de bandalheiras jornalísticas cometidas pela Folha sob a rubrica não posta em tintas do antipetismo de insensatez total.

Outro é o editorial publicado pouco depois, em 7 de novembro do ano passado, quando da derrota de Donald Trump em sua tentativa de reeleição nos EUA. “Já vai tarde”, disse a Folha, sobre Trump, que foi chamado pelo jornal de “cafajeste”, “bravateiro populista”, “sabotador” . Linhas depois, sobre Bolsonaro, o jornal considerou que “há tempo de o presidente brasileiro completar o ajuste necessário em sua administração”.

Naquela data, o Brasil já tinha ultrapassado 160 mil mortos por covid-19.

E quem poderá esquecer do editorial “A hora do compromisso”, publicado pela Folha às vésperas do segundo turno das eleições 2018? Naquela peça, o editorialista, à imagem do noticiário da casa à época, equiparava Haddad a Bolsonaro, ou seja, uma candidatura estribada em 13 anos de governo indubitavelmente democrático àquela assentada em mentiras, ameaças e loas à Ditadura, à tortura e à morte.

Ternuma

A maior das bandalheiras abrigadas naquela rubrica oculta, porém, aconteceu no dia 5 de abril de 2009. Naquele dia, a Folha publicou sobre fundo vermelho, em capa – ocupando duas colunas, à esquerda, acima da dobra, como o editorial desta sexta – uma falsa, fictícia, inventada “ficha de Dilma Rousseff no Dops”.

“A Folha obteve documentos inéditos”, disse o jornal naquela feita. Dias depois, o jornal admitiu não a fraude, mas apenas que “tratou como autêntico documento, recebido por e-mail, com lista de ações armadas atribuídas à ministra da Casa Civil”, emendando candidamente que a autenticidade do documento “não pode ser assegurada, bem como não pode ser descartada”.

Então ficamos combinados que não faz tanto mal assim, para o jornalismo e para o Brasil, quando vai parar na capa do maior jornal do país, sem comprovação de autenticidade, documento da Ditadura “inédito” e nocivo a uma pré-candidatura presidencial que, na época, já causava alvoroço nos meios militares.

Na época, foi necessário que a própria Dilma esclarecesse que a falsificação circulava desde meses antes na internet, originalmente publicada no extinto site ultradireitista ternuma.com.br. O que poucos irão se lembrar é que aquela não foi a primeira vez que a Folha bebeu nesta “fonte”, o Ternuma, para falar de Dilma.

‘Segundo a ong’

No dia 5 de novembro de 2002, a Folha publicou um perfil de Dilma por conta do anúncio do nome da então secretária de Energia do Rio Grande do Sul para integrar a equipe de transição de Lula, recém-eleito presidente da República.

Dizia aquele primeiro perfil de Dilma Rousseff publicado na Folha de S.Paulo:

“Segundo a ONG Ternuma, ela foi presa política em São Paulo em 16 de janeiro de 1970. Era conhecida na clandestinidade pelos codinomes Estela, Luiza, Patricia e Wanda. Foi militante em 1967 da Política Operária (POLOP) em Minas Gerais, junto com seu marido Claudio Galeno de Magalhães Linhares, conhecido na época pelos codinomes Aurélio e Lobato”.

“Segundo a ong Ternuma”, disse a Folha, sem nem informar que se tratava de sigla para “Terrorismo Nunca Mais”, grupo que se apresentava como “um punhado de democratas civis e militares indignados com a desfaçatez dos esquerdistas revanchistas” e que era ligado ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra – “o pavor de Dilma Rousseff”.

Portanto, baby, você que precisa saber da piscina, da margarina, da gasolina, da tirania, sobre como se constrói um “protótipo de ditador”, leia a Folha, seus perfis, suas capas, seus editoriais.

Realmente, “não dá pra não ler”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *